A falta de oportunidades de emprego e de acesso à educação continua a empurrar muitos jovens para o alcoolismo, delinquência, crime e prostituição. Face a este cenário, organizações da sociedade civil têm reforçado intervenções sociais com foco na formação profissional e reintegração comunitária
Por: João Afonso
Na última quinta-feira (27), o Centro FPCI e a AOAAN promoveram um encontro de reflexão sobre o impacto social das instituições nas comunidades. A actividade decorreu na Escola de Magistério Primário da Marconi e reuniu jovens que recentemente abandonaram práticas ilícitas para abraçar cursos profissionais.
Instituições apostam na reintegração juvenil
O presidente da direcção central da AOAAN,( associação de organização de actividades de apoio aos necessitados) Francisco Ambriz, explicou que a organização, em parceria com o Centro FPCI, tem identificado jovens em situação de vulnerabilidade social para inseri-los em programas de formação técnico-profissional.
“O género feminino tem sido o nosso foco, sobretudo mulheres que se dedicavam à prostituição. Felizmente, têm sido receptivas, abandonando vícios e aderindo ao nosso projecto”, afirmou.
Já o director-geral do Centro FPCI, Fortunato Pinto da Costa, destacou que a maior dificuldade está na falta de apoio financeiro por parte das empresas sediadas no município do Hoji-ya-Henda.
“Queremos formar mil jovens até 2026, mas isso só será possível com o apoio das instituições. Reiteramos o apelo aos nossos parceiros para que se doem à causa”, declarou.
Apoio institucional
O administrador municipal do Hoji-ya-Henda, José de Oliveira dos Santos Bastos, assegurou que tem mantido diálogo com o sector empresarial para mobilizar apoios destinados a iniciativas que visam resgatar jovens em situação de risco.
Sobre a importância da formação, observou:
“Vale mais um jovem desempregado com formação do que desempregado sem nenhuma qualificação.”
O director provincial do INEFOP em Luanda, Miguel da Silva, reconheceu os desafios enfrentados, como insuficiência de equipamentos e crescimento da procura pela formação, mas garantiu que a instituição continua firme na sua missão.
“Apesar das dificuldades, continuamos a formar jovens e a licenciar centros privados para ampliar as parcerias.”

Testemunhos de transformação
O Jornal Liberdade conversou com alguns formandos que, no passado, estiveram envolvidos em actividades ilícitas. Miranda Vieira, hoje formado em frio/climatização diz que tem desencorjado os seus amigos a deixarem o mundo do crime.
Quem também se pronunciou foi o jovem Manuel Luzamba, que abraçou o curso de Electricidade.
“É muito bom ocupar o tempo aprendendo coisas úteis. Tenho a electricidade como a minha paixão e faço de tudo para que tudo corra bem, desencorajando práticas que prejudicam a nossa sociedade”, afirmou.
Recorde-se que o projecto “Eu me Formei na Minha Banda”, lançado pelo Centro FPCI, formou 20 jovens, grande parte oriunda de diferentes pontos de Luanda. Muitos destes jovens estavam anteriormente ligados à delinquência, criminalidade e prostituição, mas encontraram no projecto uma oportunidade de transformação e reintegração social.


