A mesa da assembleia-geral da Associação dos Camionistas de Angola (ACA) elegeu, neste sábado (29), em Luanda, uma nova direcção liderada por Camilo Silva. A reunião ficou marcada pela presença reduzida de associados e pela contestação imediata do presidente cessante, Sabino da Silva, que classificou o acto como “inconstitucional”.
Por: João Afonso
Durante o encerramento da assembleia extraordinária, o novo presidente afirmou à imprensa que pretende “conduzir os destinos da associação a bom porto”, comprometendo-se a trabalhar com responsabilidade e em defesa dos interesses da classe. Camionista há 30 anos e natural da província da Huíla, Camilo Silva diz conhecer de perto as dificuldades enfrentadas pelos profissionais.
“Não somos tidos nem achados, apesar de contribuirmos para o desenvolvimento do país. Se a camionagem parar, o país pára. Precisamos resgatar os nossos direitos para sermos respeitados pelas autoridades angolanas”, afirmou.
Questionado sobre a relação com o presidente cessante, Camilo Silva considerou Sabino da Silva “um companheiro de estrada”, manifestando esperança de que este possa continuar a contribuir como conselheiro. “Para frente é o caminho”, disse.
Mesa da Assembleia aponta má gestão na antiga direcção
João Gonçalves Ngola, secretário da mesa da assembleia-geral, avaliou positivamente o encontro, embora reconheça a fraca participação dos associados. Segundo ele, muitos camionistas não terão sido autorizados pelos seus empregadores a participar na reunião.
Sobre a destituição da direcção anterior, Ngola afirmou que a decisão reflecte “a vontade da maioria” e justificou o afastamento de Sabino da Silva com alegações de atropelo aos estatutos.
“Houve gestão danosa. O presidente cessante usava meios da instituição em benefício próprio, não defendia os interesses da colectividade e, por vezes, tratava mal os colegas com palavras ofensivas. Isso motivou a convocação da assembleia extraordinária”, explicou.
Presidente destituído fala em golpe e garante que continua no cargo

Em reacção, Sabino da Silva contestou a legalidade da assembleia, classificando-a como “uma brincadeira e assalto ao poder”. O dirigente afirmou que continuará a exercer funções, por considerar que ainda está dentro do seu mandato.
Para Sabino, o número reduzido de participantes torna a assembleia “ilegal”, por não cumprir o quórum exigido pelos estatutos. “A ACA tem um conselho permanente composto pelos membros fundadores, e estes não foram consultados” disse o nosso entevistado que desafia a mesa da assembleia a mostrar provas das acusações que pesam sobre si.


