O Missionário Oblato da Diocese de Caxito, padre Paulo Ndjongo Pindali, manifestou profunda indignação com a promoção de festas públicas dispendiosas, muitas delas acompanhadas da promessa de cervejas gratuitas, numa sociedade marcada pela carência de serviços básicos essenciais.
Por : Benhão Sapo
Em missão pastoral há quase dois anos no bairro Belo Monte, no município de Cacuaco, o sacerdote lamentou que, apesar das dificuldades enfrentadas pela população como a falta de água potável, vias de acesso degradadas, fornecimento irregular de energia eléctrica, ensino de baixa qualidade e um sistema de saúde deficitário, alguns responsáveis continuem a ignorar essas necessidades prioritárias.
Segundo o missionário, essa postura, contraria o verdadeiro sentido da justiça.
“A justiça de Deus é dar a cada um aquilo de que necessita. Infelizmente, aqueles que são guardiões da própria justiça não dão ao povo aquilo de que precisa”, afirmou.
Padre Paulo alertou ainda para o agravamento da situação com a aproximação da época chuvosa, sublinhando que a população carece urgentemente de estradas transitáveis, água, escolas e outras infra-estruturas sociais básicas. Para o sacerdote, em vez de se investir na formação da juventude com a construção de escolas, bibliotecas e espaços educativos há quem opte por promover festas, vulgarmente chamadas de “farras”, incentivando o consumo excessivo de álcool.
“Há quem prefira promover festas onde se promete cerveja gratuita, em vez de criar oportunidades que ajudem os jovens a crescer”, lamentou, recordando práticas do passado em que “as pessoas ‘morriam’ na sexta-feira e só ‘ressuscitavam’ na segunda-feira”, numa alusão ao abuso do álcool.
As declarações do sacerdote surgem na sequência de um anúncio feito recentemente pelo empresário Bento Kangamba, que revelou, numa entrevista concedida a um portal em Luanda, a intenção de voltar a promover as chamadas “maratonas”, garantindo cervejas a preços reduzidos. O anúncio gerou fortes críticas em diversos sectores da sociedade.
O Bispo de Caxito, Dom Maurício Agostinho Camuto, também se pronunciou sobre o assunto em ocasiões anteriores, classificando como “falsos políticos” os dirigentes que promovem festas públicas com o objectivo de embriagar a juventude.

