A conhecida paragem do Ti Abel, localizada no eixo que liga a comunidade da Boa Esperança ao Kikolo da Conduta, no município de Cacuaco, continua a ser palco frequente de graves acidentes de viação. De acordo com moradores e líderes comunitários, entre duas a três pessoas são atropeladas semanalmente, sendo os peões as principais vítimas, muitas das quais acabam por perder a vida.
Por: João Afonso
A denúncia foi feita pelo coordenador do quarteirão 02 da Boa Esperança Central, Virgílio Chissanga, durante uma descrição da realidade social do bairro. Entre os vários problemas que afectam a comunidade, o responsável manifestou profunda indignação face ao silêncio das autoridades, apesar do número alarmante de acidentes registados naquele troço que dá acesso ao mercado do Kikolo.
“Nós informamos as preocupações da comunidade às instâncias superiores, mas não tem havido solução. Parece que as nossas preocupações não chegam à mais alta entidade da província”, lamentou o coordenador.
A jovem Angelina António, de 18 anos, também demonstrou preocupação com a situação, afirmando já ter presenciado vários acidentes com vítimas mortais.
“Estamos a solicitar a colocação de quebra-molas para reduzir a sinistralidade rodoviária, mas os governantes fazem ouvidos de mercador”, desabafou.
Na mesma linha, Manuela Manuel defende a construção de uma passagem aérea vulgo pedonal como forma de evitar atropelamentos. Segundo a jovem, o excesso de velocidade praticado pelos automobilistas tem sido a principal causa dos acidentes fatais.
“A última vez que presenciei uma situação dessas foi quando dois jovens morreram no local. Isso marcou-me bastante”, contou, visivelmente emocionada.
Por sua vez, Juma Tabale Mande, trabalhador de uma recauchutagem situada a poucos metros da estrada, responsabiliza sobretudo os moto – taxistas e os condutores das viaturas de transporte colectivo, conhecidas como “azul e branco”. Segundo ele, muitos circulam com problemas mecânicos, sobretudo nos travões, aumentando o risco de acidentes.
“Nos meses de Novembro e Dezembro houve muitos acidentes aqui. Muitas viaturas apresentam problemas técnicos e acabam por provocar acidentes a qualquer hora do dia”, afirmou.
Importa recordar que, em Angola, os acidentes de viação constituem a segunda maior causa de morte, logo após a malária, o que reforça a urgência de medidas concretas para garantir a segurança rodoviária naquela zona.

