No âmbito das celebrações dos 450 anos da cidade de Luanda, assinalados no próximo domingo, cidadãos da capital angolana reconhecem algumas melhorias registadas ao longo dos anos, com destaque para o fornecimento de energia eléctrica, mas alertam para a persistência de sérios problemas sociais e infra-estruturais que ainda afectam grande parte da população.
Por: João Afonso
No município de Cacuaco, os moradores defendem uma Luanda mais inclusiva, onde todos os cidadãos se sintam verdadeiramente angolanos e tenham acesso às mesmas oportunidades, independentemente da sua condição social ou local de residência.
Eduardo José Constante, funcionário público e residente no bairro Boa Esperança, considera que os principais desafios de Cacuaco continuam a ser o saneamento básico, o abastecimento de água potável, as vias de comunicação e o elevado índice de criminalidade. Segundo o entrevistado, apesar das dificuldades, o fornecimento de energia eléctrica tem sido um dos serviços que mais melhoria apresentou em várias comunidades.
Para Eduardo, o Governo deve dar continuidade à construção e reabilitação das vias secundárias e terciárias, de modo a facilitar a mobilidade da população. “Os serviços básicos ainda não chegam a todos. O Estado deve trabalhar para que esses serviços alcancem todas as comunidades”, defendeu.
O cidadão criticou ainda a falta de avanços na diversificação da economia, afirmando que não é possível alcançar esse objectivo sem estradas em condições. “Não se pode diversificar a economia com vias degradadas. É urgente acudir essa situação”, sublinhou.
Eduardo manifestou também o desejo de ver uma Luanda para todos, onde as celebrações do aniversário da cidade incluam toda a população, apesar das dificuldades financeiras que marcam o quotidiano dos luandenses. “Assim estaríamos a celebrar com maior harmonia”, afirmou.
No final da sua intervenção, mostrou-se desapontado com a actuação da Administração Municipal de Cacuaco, alegando que os problemas das vias esburacadas persistem, mesmo havendo verbas alocadas para a sua resolução. Quanto ao seu contributo para o desenvolvimento da província, afirmou que tem ajudado jovens na formação profissional, apelando ao Governo para a sua inserção no mercado de trabalho.
Outros cidadãos ouvidos, nomeadamente José Vemba, professor, e Madalena João, estudante, destacaram a necessidade de políticas públicas mais voltadas para a juventude, com especial atenção à criação de espaços de lazer, habitação condigna e bibliotecas comunitárias. Ambos lamentaram ainda o consumo excessivo de álcool entre os jovens.
Já o jovem Paciência João da Costa, residente no bairro Paraíso e formado em electricidade, queixou-se do desemprego. “Sou formado, mas não consigo emprego. Já entreguei documentos em várias empresas e nunca fui chamado”, lamentou, apelando igualmente à construção de mais escolas públicas.
Por sua vez, Margarida Dala, do bairro Boa Esperança, e Elisabeth Raimundo, residente nos Mulenvos, denunciaram o elevado número de casos de abusos sexuais nas suas comunidades. Para ambas, é necessário um maior empenho da Polícia Nacional para travar essas práticas. As entrevistadas chamaram ainda a atenção para a falta de contentores de lixo em alguns bairros, situação que contribui para a proliferação de resíduos a céu aberto.
Luanda celebra 450 anos de existência no dia 25 de Janeiro. A cidade foi fundada em 1576 por Paulo Dias de Novais e é actualmente governada por Luís Nunes. Com uma população superior a 8 milhões de habitantes, segundo os dados do último Recenseamento Geral da População e Habitação, a província continua a enfrentar grandes desafios, sobretudo no acesso equitativo aos serviços sociais básicos.


