A educação financeira é fundamental para que os cidadãos consigam gerir os seus recursos de forma eficaz e alcançar maior estabilidade económica. Num mundo onde as despesas acontecem a cada segundo para responder às necessidades diárias, a realidade angolana exige que a população adopte uma nova postura financeira, ajustada ao contexto socioeconómico do país.
Por: João Afonso
No âmbito desta reflexão sobre educação financeira, ouvimos um jurista, uma professora e um jovem empreendedor, cujas abordagens revelam caminhos possíveis para uma gestão consciente dos gastos e para a satisfação equilibrada das necessidades do dia a dia.

O jurista Peterson Samuel Domingos define a educação financeira como o processo de aprender a gerir o dinheiro e a tomar decisões financeiras informadas. Segundo ele, os jovens enfrentam vários desafios, entre os quais a falta de experiência, a pressão social e a dificuldade em poupar, factores que comprometem seriamente uma educação financeira saudável.
O jurista mostrou-se igualmente preocupado com o envolvimento precoce das crianças no campo financeiro. Defende que é possível ensinar crianças e adolescentes sobre finanças pessoais através de exemplos práticos, como jogos e actividades interactivas. No entanto, alerta para a necessidade de cautela, sob pena de se criar uma relação excessiva com o dinheiro e os bens materiais.
“Se não fizermos isso com atenção e cuidado, estaremos a colocar uma bomba atómica na sociedade, caso essas crianças cresçam com expectativas financeiras frustradas”, alertou.
Para Peterson Domingos, a educação financeira deve começar cedo, sobretudo com a introdução da cultura da poupança. Evitar o endividamento, segundo o jurista, passa pela criação de um orçamento que permita poupar e eliminar gastos desnecessários.
O académico destaca ainda o papel da tecnologia no processo educativo, referindo que aplicações de orçamento, simulações de investimento e plataformas de educação online tornam a educação financeira mais acessível e interactiva.
Outro ponto abordado foi o impacto da má gestão financeira na saúde mental. O jurista considera que a redução do estresse financeiro é um dos maiores benefícios de uma boa educação financeira, pois permite maior controlo, melhores decisões de investimento e maior segurança económica.
“Para superar a ansiedade financeira, é necessário investir numa educação financeira personalizada, aliada ao apoio psicológico e à criação de planos financeiros realistas, e não ilusórios”, sublinhou.
O entrevistado apontou ainda as escolas e os órgãos de comunicação social como instituições-chave na promoção da educação financeira, defendendo a criação de programas de capacitação e workshops gratuitos para disseminar informação e sensibilizar a população.
Já a professora Aida Sumbo destacou a importância da aplicação de estratégias de gestão financeira, da diversificação das fontes de rendimento e do afastamento do consumismo. Para ela, essas práticas permitem ao indivíduo satisfazer as necessidades básicas, financiar momentos de lazer e evitar problemas emocionais.
“Uma boa educação financeira poupa-nos de problemas como ansiedade e depressão. Por isso, desencorajo, ao máximo, os gastos ocasionais e impulsivos”, afirmou.
A docente acrescentou ainda que actividades de empreendedorismo e palestras educativas são formas eficazes de ajudar as pessoas a superar a ansiedade financeira.
Quem também falou ao nosso jornal foi o jovem empreendedor Marcos Roberto da Costa, que enumerou atitudes essenciais para uma gestão consciente do dinheiro, entre as quais saber ganhar, gastar, poupar, investir e planear. Segundo ele, é fundamental saber para onde o dinheiro vai e evitar dívidas desnecessárias.

Para Marcos, essa postura permite ao indivíduo poupar para emergências, alcançar objectivos pessoais e investir de forma consciente, definindo metas como viagens, estudos, aquisição de casa própria e aposentadoria.
“O objectivo da educação financeira é dar autonomia e segurança para que tomemos decisões melhores e evitemos problemas como o endividamento e a falta de controlo financeiro”, afirmou.
Janeiro: mês da fome?
Sobre a capacidade de gestão financeira no mês de Janeiro, popularmente conhecido como “mês da fome”, Marcos da Costa explica que a população precisa de maior preparação financeira neste período. Segundo ele, Janeiro concentra várias despesas obrigatórias e sazonais, como os gastos das festas de fim de ano, férias, regresso às aulas, transporte e alimentação fora de casa, o que torna o mês financeiramente mais exigente do que os demais

