Apesar do perigo constante, os vendedores da Praça da Cerâmica, no município de Cacuaco, continuam a exercer a sua actividade comercial nas proximidades de uma vala a céu aberto, movidos por um único objectivo: garantir o sustento das suas famílias.
Por : João Afonso
Entre vender sob risco e não vender nada, os comerciantes afirmam que preferem enfrentar o perigo diariamente a ficar sem meios de sobrevivência. Conscientes da situação em que se encontram, os vendedores apelam às entidades competentes para que intervenham e revertam o quadro actual.
Dona Isaura Lopes, nome fictício, relata a falta de espaços adequados para a comercialização dos seus produtos, razão pela qual prefere expor-se ao risco para conseguir algum rendimento.
“Não sabemos onde isto vai parar. Não temos emprego, nem sempre há clientes e, muitas vezes, a caixa de peixe não se vende toda. A fome não perdoa, por isso estamos aqui. Dizem que vão tirar-nos daqui, mas nós queremos que tapem a vala”, desabafou.

Outra comerciante, que preferiu manter o anonimato, reforçou o apelo:
“Nós queremos que tapem isto aqui. Temos fome, é por isso que estamos aqui. Quando chove, vendemos por cima da água”, lamentou.
Segundo os vendedores, a situação já foi reportada à direcção do mercado, tendo inclusive recebido visitas de representantes da administração municipal e de jornalistas de vários órgãos de comunicação social. No entanto, até ao momento, nenhuma solução concreta foi implementada, mantendo-se o cenário de risco.
Apesar da insuficiência de mercados em alguns pontos da província de Luanda, o Governo angolano tem vindo a implementar políticas de construção e reabilitação de mercados, com o objectivo de conferir maior dignidade aos vendedores e combater a venda ambulante.
Contactamos a administração do mercado cujos esforços até ao fecho desta matéria não surtiram efeitos .


