Um conflito envolvendo a liderança tradicional do Reino do Ndongo opõe diferentes linhagens, com acusações de usurpação de poder contra o soberano Diba Ngola Ajungu.
Por : Benhão Sapo
De acordo com Dala Samba, representante da linhagem matriarcal “Ya Samba”, ligada a Ngola Kiluanje, uma delegação chefiada pelo soberano Mbumba Ya Samba encontra-se em Luanda desde a semana passada. A comitiva integra representantes das províncias de Malanje, Uíge, Kwanza Norte, Lunda Norte, Lunda Sul, Moxico e Icolo e Bengo, e tem como objectivo obter respostas das autoridades governamentais sobre o litígio entre os reinos.
Segundo Dala Samba, que está acompanhado pelo soberano Joaquim Mbumba Samba — apontado como o legítimo sucessor ao trono do Ndongo —, a delegação ainda não foi recebida pelas entidades competentes, apesar dos vários pedidos de audiência.
“A comissão da família real de Ngola Kiluanje ya Samba encontra-se em Luanda para acompanhar o processo que está em tramitação no Ministério da Cultura, no Gabinete do Presidente da República, no Ministério da Administração do Território, na Assembleia Nacional, no Governo Provincial e no Ministério da Justiça. Contudo, até ao momento, não obtivemos qualquer resposta”, afirmou.
O responsável acrescentou que, no ano passado, o Ministério da Cultura autorizou a realização de uma assembleia para tratar do assunto, mas o processo não teve seguimento.
Disputa de legitimidade
Actualmente, o poder do Reino do Ndongo é exercido por Diba Ngola Ajungu, pertencente à linhagem de Kabombo e à tribo Mudile dia Ndumbo. No entanto, Dala Samba contesta a legitimidade dessa liderança, defendendo que a autoridade deve pertencer à linhagem de Ngola Kiluanje ya Samba.
Segundo ele, a reivindicação não visa criar conflitos, mas sim garantir a correcta divisão de poderes entre as linhagens tradicionais.
“A nossa intenção não é gerar instabilidade, mas sim assegurar que os poderes sejam atribuídos de acordo com as linhagens. Neste momento, o rei Diba Ngola Ajungu exerce autoridade sobre quatro poderes: Ngola Kiluanje Kiassamba, Matamba, o poder de Nzinga Mbande e o de Kabombo, que lhe pertence. No entanto, cada linhagem corresponde a um reino distinto”, explicou.
Apelo à intervenção das autoridades
Dala Samba denunciou ainda que, desde a morte do rei Ngola Kiluanje Kiassamba, nenhum membro da sua linhagem voltou a assumir o poder, tendo este sido exercido por outras figuras, incluindo Nzinga Mbande, sob diferentes influências históricas.
O representante reforça que o Reino do Ndongo é considerado o “poder mãe”, apesar da existência de outros reinos, como o de Matamba, e defende que a liderança legítima deve respeitar a linhagem matriarcal tradicional.
A delegação solicita às autoridades competentes autorização para a realização de uma assembleia geral do poder tradicional. O objectivo é reunir representantes das várias tribos do Ndongo, permitindo o esclarecimento das linhagens e a definição legítima da liderança.
“Pedimos que seja emitido um despacho que permita a realização de uma assembleia onde o actual soberano possa responder perante as autoridades tradicionais, com a participação das várias tribos, para se apurar a verdadeira linhagem com direito ao trono”, apelou.
Por fim, Dala Samba reiterou o pedido de intervenção do Presidente da República, do Ministério da Cultura, do Ministério da Administração do Território e da Assembleia Nacional, com vista à resolução definitiva do conflito.

