Os camiões que transportam produtos agrícolas e que foram obrigados a deixar de circular pela avenida principal de Caxito, vulgarmente conhecida como “Rua Direita”, devido às obras em curso na Estrada Nacional 100, enfrentam vários constrangimentos nas vias alternativas disponibilizadas para a circulação.
Por : Redacção
Além do mau estado de conservação de alguns troços secundários e terciários, os camionistas apontam os assaltos e furtos de mercadorias como uma das principais dificuldades enfrentadas durante o percurso.
Segundo os profissionais do volante, os populares aproveitam o mau estado das vias, caracterizado por buracos e pela circulação lenta dos camiões, para se aproximarem das viaturas e retirar produtos das cargas.
A via que liga o mercado do Kawango ao bairro Paranhos é apontada pelos camionistas como um dos locais onde se registam com frequência esses casos. Entre os produtos mais visados estão a banana e o bombó.
“Todos os dias somos assaltados aqui. A partir das 17 horas já é um perigo circular nessa zona, principalmente porque somos obrigados a reduzir a velocidade. Esses gatunos sobem para cima dos nossos camiões e tiram tudo o que encontram. Nós sentimos medo de descer, porque são muitos e, segundo temos visto, alguns estão armados com catanas e facas”, contou Matias Ngunza, visivelmente preocupado com a situação.
O camionista lamenta igualmente a alegada ausência de patrulhamento policial na zona. “Eu nunca vi a polícia aqui, precisamente neste local onde os homens da lei deveriam estar a fazer patrulha”, desabafou.
Lucas Guima também relata ter sido vítima de furto durante uma das suas viagens. “Eu mesmo já fui roubado quando me dirigia ao Uíge. São muitos os gatunos que ficam nesta mata”, afirmou.
Por sua vez, Carlos Lopes questiona as condições das vias alternativas. “Proibiram-nos de passar pela via principal de Caxito porque os camiões estragam a estrada. Então, não deveriam fazer estradas melhores?”, questionou o camionista.
Os profissionais entrevistados afirmam ainda que, para além dos prejuízos causados pelos assaltos, são obrigados a assumir a responsabilidade pelas mercadorias perdidas durante o percurso.
“Quando um motorista perde um produto, somos nós que pagamos. Toda a responsabilidade pela carga é nossa. Mesmo assim, esses jovens que fazem isso não pensam em nós. Acordamos todos os dias cedo para trabalhar e depois uma pessoa de má-fé vem fazer isso”, lamentaram.
Com as obras em curso na cidade de Caxito, os camionistas dizem estar obrigados a continuar a utilizar os troços alternativos colocados à sua disposição, apesar dos riscos associados às condições das vias e à insegurança.
Os camionistas apelam à melhoria das estradas alternativas e ao reforço do patrulhamento policial nas zonas consideradas mais vulneráveis, de modo a garantir maior segurança.


