O General Higino Carneiro defendeu, esta terça-feira, em Luanda, que a divergência de ideias não deve ser encarada como sinal de inimizade, traição ou deslealdade dentro de um partido político.
Por : João Afonso
A posição foi manifestada durante uma conferência de imprensa, na qual abordou o ponto de situação do seu processo de pré-candidatura à liderança do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).
“A diferença de pensamento não significa inimizade, divergência não significa traição, crítica não significa deslealdade. Um partido forte não deve temer a adversidade de ideias, mas sim saber acolhê-las, debatê-las e transformá-las numa fonte de renovação”, afirmou.
Higino Carneiro lamentou, igualmente, o afastamento de algumas pessoas que exerciam funções no seio do partido por terem manifestado apoio à sua candidatura, bem como de antigos militantes que, segundo afirmou, deixaram de exercer determinadas funções partidárias.
Para o general, é necessário recuperar o verdadeiro sentido da crítica e da autocrítica no seio do partido, defendendo maior abertura ao debate interno e ao respeito pelas diferentes posições dos militantes.
“Precisamos de recuperar o sentido da crítica e da autocrítica. Quero aqui dizer que a minha tristeza é ver camaradas divididos no seio do partido. Nunca quis dividir a nossa família política. Não devemos ter medo de ouvir, discutir ou lidar com militantes que tenham as suas próprias escolhas”, sublinhou.
No que diz respeito à sua intenção de concorrer à presidência do MPLA, Higino Carneiro afirmou que a decisão não resultou de um improviso, mas de uma posição ponderada e sustentada nos seus direitos enquanto militante.
“A minha decisão de manifestar a intenção de concorrer à presidência do MPLA não nasceu de um improviso. Por isso, vamos continuar a utilizar todos os meios legais e estatutários para fazer valer os nossos direitos”, declarou.
O General Higino Carneiro reiterou, assim, a intenção de prosseguir o processo pelos mecanismos legais e estatutários previstos, defendendo simultaneamente a necessidade de preservar a unidade interna e promover um ambiente de maior tolerância perante a diversidade de opiniões no seio do partido.

