O Mercado do Kicolo, localizado no município de Cacuaco, em Luanda, tem sido palco de relatos de um alegado aumento da prática da prostituição, sobretudo no período nocturno. Segundo comerciantes ouvidos pela nossa reportagem, mulheres de diferentes idades, provenientes de várias zonas da capital, concentram-se no local a partir das 19 horas.
Por: Redacção
De acordo com as fontes, a situação ocorre com maior incidência na área destinada à comercialização de madeiras, lençóis e chapéus, onde alguns serviços serão alegadamente realizados em zonas pouco iluminadas e atrás de camiões estacionados.
Joaquim Andrade, um dos comerciantes do mercado, confirmou a ocorrência do fenómeno e manifestou preocupação com a frequência com que, segundo afirma, estas situações têm acontecido.
“Aqui tem havido muita prostituição envolvendo mulheres de diferentes idades, provenientes de vários lugares. O local tem estado muito movimentado e, por vezes, registam-se filas de jovens à procura desses serviços. Ultimamente, elas têm realizado essa actividade atrás dos camiões, aparentemente sem receio. O mais preocupante é que a esquadra da Polícia Nacional fica muito próxima”, denunciou.
O comerciante avançou ainda que os valores cobrados variam em função do serviço. Segundo o seu relato, os preços podem atingir os 1.200 kwanzas, dos quais 200 kwanzas seriam destinados ao segurança que alegadamente permite o acesso ao local. Caso o cliente pretenda levar a mulher para outro espaço, o valor poderá subir para 2.000 kwanzas, acrescentou.
Por sua vez, Nungulo, nome fictício utilizado para preservar a identidade da fonte, afirmou também ter observado a presença de várias jovens em determinadas esquinas do mercado, onde, alegadamente, abordam pessoas que circulam pela zona.
“Muitas vezes, quando passamos por aqui, somos interpelados por elas. Perguntam, em código, se queremos ‘tirar o sal’”, contou.
Outra fonte, que preferiu não ser identificada, considera que o fenómeno poderá agravar-se devido às dificuldades socioeconómicas enfrentadas por algumas famílias, apontando as condições de vida como um dos factores que poderão contribuir para a situação.
Adão Maurício, vendedor ambulante, corroborou os relatos e afirmou que a actividade ocorre, sobretudo, em áreas com pouca iluminação e em pontos considerados estratégicos para evitar a exposição pública.
Segundo informações recolhidas pela reportagem, a administração do mercado tem promovido acções de sensibilização com o objectivo de inverter o cenário. No entanto, os comerciantes ouvidos consideram que as medidas ainda não produziram os resultados esperados, alegando que as mulheres envolvidas continuam a frequentar o local.
Perante a situação, os entrevistados apelam à intervenção do Ministério do Interior e das autoridades competentes, defendendo o reforço da fiscalização e de medidas de prevenção, sobretudo para proteger adolescentes e outras pessoas em situação de vulnerabilidade.
Os comerciantes manifestam ainda preocupação com relatos de que algumas mulheres que supostamente mantêm relações conjugais também estarão envolvidas nesta actividade.
Foto : Tirada na internet

