A reeleição de Adalberto Costa Júnior (ACJ) à presidência da UNITA, com uma victória expressiva de 90% contra 10% sobre Rafael Massanga Savimbi, marca um dos momentos mais significativos da política angolana recente. Mais do que uma disputa interna, o resultado evidencia a consolidação de ACJ como líder incontestado da oposição e reforça a maturidade democrática dentro da própria UNITA.
O número avassalador demonstra que o partido privilegia estabilidade, continuidade estratégica e coesão interna. Num contexto em que as organizações políticas da oposição historicamente enfrentam fracturas, a UNITA apresenta-se hoje organizada, disciplinada e com um rumo claro.
Rafael Massanga Savimbi, apesar da derrota, reforça a imagem de que o partido mantém abertura para pluralidade e concorrência interna, sem rupturas.
Para o país, este desfecho tem impacto directo. Num momento marcado por dificuldades económicas, desencanto social e crescente procura por alternativas, a reeleição de ACJ envia o sinal de que a oposição está preparada para disputar o poder em igualdade de condições e com uma liderança legitimada.
ACJ emerge como a figura mais competitiva da história da oposição democrática angolana, sobretudo junto dos jovens, quadros urbanos e sectores descontentes com o status quo.
Com este congresso, a UNITA entra na rota das eleições de 2027 com maior força simbólica e organizacional. A disputa tende a assumir um carácter plebiscitário entre dois projectos de país: a continuidade do MPLA e a mudança representada por ACJ.
Os grandes centros urbanos – Luanda, Benguela, Huíla e Huambo – serão decisivos nesta batalha eleitoral.
Em síntese, a reeleição de Adalberto Costa Júnior não é apenas um acontecimento interno; é um sinal de transformação no sistema político angolano. A UNITA reafirma-se como alternativa credível, com liderança sólida, e 2027 poderá representar o momento mais competitivo e decisivo da história política nacional desde 1992.
José Ventura,
Docente de Sociologia Política

