A Administração Municipal do Rangel notificou oito famílias que vivem há mais de 25 anos no pátio da Escola 17 de Setembro, nº 1527, para abandonarem as residências no prazo de 48 horas.
Por: Benhão Sapo
As casas, situadas no quintal da instituição, foram inicialmente atribuídas a professores efectivos e membros da direcção quando o espaço ainda funcionava como internato. Ao longo dos anos, os funcionários constituíram família e ampliaram as moradias, permanecendo no local há mais de duas décadas.
Aida Cassua, esposa de um dos funcionários da escola e mãe de seis filhos, relata que passou a residir no local por intermédio do marido, que integrava a direcção do então internato e continua a trabalhar na escola. Segundo explica, foi-lhes cedido um espaço onde construíram e ampliaram a casa ao longo do tempo. A filha mais velha do casal, actualmente com 25 anos, nasceu naquela residência.
A moradora afirma que as famílias receberam ordens para deixar o local até à tarde de sexta-feira, 20 de Fevereiro, sob aviso de que fiscais poderão retirá-las à força caso não cumpram o prazo. Sem alternativa habitacional, demonstram preocupação sobretudo com os filhos em idade escolar, defendendo que lhes seja concedido mais tempo para concluírem o ano lectivo.
Durante o período em que permaneceram no terreno, as famílias afirmam ter recebido garantias de que seriam contempladas com residências na centralidade do Zango. No entanto, a promessa, segundo os moradores, nunca foi concretizada.
Um dos funcionários afectados, que preferiu não se identificar, afirma que não se opõe à desocupação, mas solicita que o Governo lhes atribua casas nas centralidades para pagamento, conforme promessas feitas no passado. Recorda que em 2012 foram cadastrados com vista à atribuição de moradias, mas até ao momento não obtiveram qualquer resposta. O funcionário alega ainda que as casas prometidas terão sido desviadas.
Após receberem vários comunicados de despejo, as famílias enviaram cartas ao Governo Provincial de Luanda e ao Ministério da Acção Social, além de manterem encontros com a Inspecção Geral da Administração do Estado (IGAE), que se comprometeu a averiguar a situação. Contudo, até agora não houve qualquer solução apresentada.
Os moradores apelam às autoridades para que investiguem o alegado desvio das residências prometidas e encontrem uma alternativa habitacional antes da efectivação do despejo.
Refira-se que a escola continua em funcionamento, leccionando da classe de iniciação até à nona classe, embora apresente um estado avançado de degradação.

