A Associação de Luta Contra o Assédio (ALCA Júnior) reafirma não temer eventuais tentativas de sabotagem ao seu trabalho diário de combate ao assédio, sobretudo no contexto escolar. A organização tem desenvolvido palestras e campanhas de sensibilização dirigidas a adolescentes, alertando para o crescimento alarmante desta prática no país e no mundo.
Por: João Afonso
Recentemente, a associação realizou uma palestra num estabelecimento de ensino do município de Cacuaco, subordinada ao tema “O Assédio nas Escolas: Causas e Consequências”, onde abordou os impactos psicológicos e sociais sofridos pelas vítimas.
“O assédio destrói vidas”, alerta vice-presidente
De acordo com a vice-presidente da ALCA Júnior, Madalena Monte Negro Gomes, o assédio “é uma prática feia que pode destruir completamente a vida de uma pessoa”. A responsável ressalta que uma vítima de assédio “deixa de ser a mesma”, reforçando a necessidade de mudança de comportamento na sociedade.
Assédio cometido por docentes preocupa jovens
O associado Joaquim Katimba destacou que o grupo está atento às ocorrências de assédio no país, apontando que alguns professores têm sido envolvidos em práticas desse tipo.
“Sabemos que muitos casos acontecem dentro das escolas e envolvem menores de idade. É preciso ter muito cuidado com as pessoas com quem interagimos diariamente”, alertou.
Outro membro, Idelfino, reforçou que a associação não é uma “mera brincadeira” e que, apesar das dificuldades, o grupo permanece firme no propósito de proteger as crianças contra práticas que violam sua integridade.
Adolescentes também erguem a voz

A jovem Osvalina Tiago, participante das actividades, afirma que fazer parte da associação representa um desafio:
“Há assediadores que querem abafar a nossa causa por sermos crianças. Mas uma denúncia pode pôr fim à carreira de assediadores.”
Para Engrácia Fernando, o grande objectivo da ALCA Júnior é fazer com que a sociedade ouça as crianças e leve a sério suas reivindicações.
“O respeito é um direito. O assédio deve ser combatido. Hoje muitas crianças estão traumatizadas por situações que deveriam ter sido evitadas.”
Psicóloga defende denúncia e vigilância
A psicóloga Isabel Pilartes, ouvida pelo Jornal Liberdade, aconselha os associados a denunciarem todos os casos de assédio, sublinhando que as vítimas carregam consequências emocionais duradouras. Ela também alertou para comportamentos e sinais que podem criar situações de risco como por exemplo as roupas indecentes e os olhares.


