Em vésperas do término do I trimestre, a direcção do Complexo Escolar 4006, localizado no bairro Barra do Bengo, município de Cacuaco, alerta para o estado crítico em que a instituição se encontra.
Por : João Afonso
A directora, Ana Maria Kubanza, afirmou ao nosso jornal que a escola necessita de uma intervenção urgente, sobretudo em matérias de segurança e infraestrutura.
Segundo a responsável, a destruição parcial do muro que circunda o estabelecimento tem facilitado a entrada de intrusos, colocando em risco alunos e funcionários.
“Temos registado actos de vandalismo oriundos do interior do bairro, que chegam até ao recinto escolar. Recentemente, um aluno foi gravemente ferido após ser atingido por uma lâmina, e uma aluna também sofreu uma invasão dentro da escola. Isto tira-nos a tranquilidade”, lamentou a directora.
Kubanza acrescenta que, devido à falta de condições mínimas de segurança, o estabelecimento não reúne condições para funcionar em período nocturno. “É urgente que as autoridades nos oiçam”, apelou.
Fenómeno “mata aula” preocupa a direcção
Outro desafio recorrente é o absentismo de alguns alunos, que preferem dedicar-se à actividade piscatória, comum na zona.
“A escola está situada numa área pesqueira. Embora compreendamos que muitas famílias dependem da pesca, preocupa-nos o abandono das aulas. Temos sensibilizado os pais e encarregados de educação, e apesar de algumas melhorias, o problema persiste”, explicou a directora.
Apenas uma casa de banho funciona
Um dos problemas mais graves diz respeito às instalações sanitárias. Das seis casas de banho existentes, apenas uma está operacional, gerando sérios constrangimentos ao funcionamento diário.
Em consequência, muitos alunos recorrem a casas próximas da escola ou às zonas de capim para satisfazer as necessidades fisiológicas. Em alguns casos, utilizam, por permissão da direcção, a casa de banho destinada ao pessoal administrativo.
Alunos expressam preocupação
A nossa reportagem ouviu dois estudantes de 16 anos, Francisca Paulo Sebastião e Alfredo João André, que confirmaram as dificuldades enfrentadas.
“Temos alguns colegas confusos, mas lidamos com isso. O que mais nos preocupa são as casas de banho, a degradação do campo de educação física, a vedação do muro e a reabilitação das salas de aula”, afirmaram, reconhecendo, porém, o esforço da direcção.
Carência de equipamentos e falta de professores
A directora revelou ainda que a escola enfrenta insuficiência de equipamentos, como aparelhos de ar condicionado, e que tem mantido contactos com a Direcção Municipal da Educação em busca de soluções.
O Complexo Escolar 4006 funciona em dois períodos, possui 10 salas de aula, carece de dois professores e conta com abastecimento de água e energia eléctrica.

