O antigo político do PRS, Sapalo António, apresentou na tarde desta quinta-feira ao Tribunal Constitucional o restante das assinaturas exigidas para suprir as insuficiências apontadas num despacho de 3 de novembro de 2025, referente ao processo de legalização do seu partido, o Partido pela Verdade e Estabilidade para o Desenvolvimento (PVED).
Por: Benhão Sapo
À saída da instituição, Sapalo António afirmou que as assinaturas entregues visam cumprir as exigências legais estabelecidas pelo tribunal. Segundo explicou, a lei determina que cada província deve apresentar, no mínimo, 150 assinaturas válidas. No entanto, quatro províncias – Cuando, Kunene, Moxico Leste e Bengo – não haviam atingido o número exigido.
“O tribunal concedeu-nos um prazo de 90 dias para suprir as insuficiências. Hoje entregámos as assinaturas dentro do prazo estabelecido. Estamos convictos de que, com esta entrega, o PVED reúne todas as condições para ser oficialmente reconhecido como partido político”, declarou.
Objectivos do novo partido
Questionado sobre as motivações para a criação do PVED, Sapalo António afirmou que o projecto político surge com o propósito de transformar Angola numa “verdadeira democracia”, defendendo maior descentralização política.
Segundo o político, apesar de Angola ter conquistado a independência em 1975, o país mantém um modelo excessivamente centralizado, no qual governadores e administradores não são eleitos, o que, no seu entender, não corresponde às aspirações democráticas da população.
“Do ponto de vista económico, político e social, Angola exige mais. Estamos a surgir para contribuir para o bem dos angolanos”, sublinhou.
Relação com outros partidos
Sobre possíveis alianças, Sapalo António afirmou que o PVED se posiciona como um partido de centro e poderá estabelecer parcerias “objectivas” com forças políticas que coloquem Angola em primeiro lugar. Contudo, garantiu que não haverá cooperação com partidos que, segundo ele, estejam associados à corrupção ou utilizem a política para benefícios pessoais.
“Para nós, a política é uma missão, não um meio de satisfação material. Aqueles que pretendem beneficiar-se do povo não contarão connosco”, frisou.
Perspectivas para 2027
Sapalo António manifestou ainda a intenção de disputar as eleições gerais de 2027, afirmando que o PVED não entrará no pleito apenas para concorrer, mas para competir em igualdade com as demais forças políticas, defendendo que a mudança no país passa pelo seu projecto político, apresentado um ano antes das próximas eleições gerais.

