Os armadores destacados na praia da Barra do Bengo, na conhecida Boca do Rio, em Luanda, continuam a desrespeitar as normas estabelecidas pelo Ministério das Pescas, sobretudo no que diz respeito ao tipo de malha utilizada nas actividades de captura.
Por: João Afonso
De acordo com informações apuradas no local, vários armadores que não possuem a malha regulamentada estão a recorrer ao uso de redes de 27 milímetros, violando as medidas do ministério de tutela. A situação tem gerado preocupação entre os moradores, levando a comissão de moradores a reunir-se com os pescadores para evitar conflitos e proteger a sustentabilidade da actividade piscatória.
O sistema de comercialização do pescado também tem sido marcado por concorrência desleal, já que muitos armadores utilizam malhas de 28 milímetros e outras não autorizadas, aumentando assim a captura de forma irregular. A prática agrava-se com a preferência que alguns armadores dão à venda do peixe a familiares e pessoas próximas.
O presidente do bairro, Cristóvão Miguel Francisco, condenou a postura, afirmando que este comportamento cria barreiras no acesso ao pescado.

“Este tipo de atitude limita outros compradores, forçando-os a adquirir o peixe nas mãos de familiares dos armadores. Defendemos uma venda aberta, que contemple todos e esteja em conformidade com as medidas implementadas pelo Estado angolano”, sublinhou.
Outro desafio que afecta a comunidade diz respeito às vias de acesso, cuja degradação compromete a circulação de pessoas e mercadorias. Considerado um pólo económico devido à intensa actividade piscatória, o bairro depende quase exclusivamente do pescado para sustentar a população.
“Se a economia do país é assegurada pelo petróleo, o nosso petróleo aqui é a pesca”, afirmou o responsável, destacando que a actividade movimenta diversas áreas e garante rentabilidade a vários armadores, transformando-se numa fonte de rendimento para muitas famílias.
Apesar das dificuldades, a pesca decorre actualmente com normalidade, registando-se boa quantidade de pescado nas redes, o que tem satisfeito os moradores.
O Ministério das Pescas estabelece tamanhos mínimos de malha diferenciados por tipo de arte e espécie capturada, variando de 25 a 30 milímetros para a pesca de cerco e podendo atingir 110 milímetros para a pesca dirigida à pescada.

