Na semana em que celebro o meu aniversário, não posso deixar de revisitar, com sentido crítico e responsabilidade cívica, o impacto da acção governativa do Presidente João Lourenço na gestão da coisa pública em Angola. Sem bajulismos, é inegável que a sua entrada na condução dos destinos do país produziu, à época, um desbloqueio significativo de vários constrangimentos estruturais do Estado.
Entre esses desbloqueios, destaca-se, sem sombra de dúvidas – e isto não é uma constatação individual, mas um reconhecimento amplamente partilhado – a abertura de oportunidades para milhares de jovens cujas esperanças em relação ao emprego se encontravam, durante muito tempo, adormecidas. Os concursos públicos realizados a partir de 2018 constituíram um marco relevante e de elevado impacto social. Naquele ano, o país viveu processos de recrutamento relativamente transparentes, que romperam com práticas do passado marcadas pela corrupção, pelo compadrio e pelo nepotismo.
Recordo, em particular, os concursos públicos para os sectores da Saúde e da Educação, verdadeiros fenómenos que “separaram as águas”, tanto pelo número expressivo de vagas disponibilizadas como pela capacidade administrativa mobilizada para a gestão desses dossiês. Para muitos jovens, foi o renascer do sonho e da esperança. Eu próprio fui parte dessa geração que sentiu, na prática, a eficiência e a eficácia dessa decisão política. Sem qualquer influência externa, eu e vários colegas ingressámos na função pública, num ambiente de maior equidade e previsibilidade institucional.
Havia, claramente, uma decisão política do Presidente João Lourenço: recuperar a credibilidade do Estado em matéria de admissão na função pública e pôr fim a vícios historicamente enraizados. Seguiram-se outros concursos que permitiram a jovens de diferentes origens sociais e geográficas concorrerem, em pé de igualdade, por um lugar no aparelho do Estado e contribuírem para a gestão do bem comum.
Importa ainda sublinhar que a ampliação das oportunidades para os jovens não se limitou aos concursos para o ingresso na função pública. Em paralelo, assistiu-se à criação progressiva de um ambiente de negócios mais previsível e relativamente mais saudável, capaz de atrair empresas internacionais e investimento estrangeiro direto, com impactos visíveis na criação de emprego. Um exemplo concreto desse movimento é o crescimento do número de empresas instaladas nas zonas económicas, especiais e industriais, espaços que têm vindo a ganhar maior dinâmica e relevância estratégica. Esses investimentos não apenas reforçam a base produtiva nacional, como também ampliam as oportunidades de inserção profissional para jovens qualificados, promovendo a transferência de competências, o contacto com novas culturas organizacionais e o aumento da competitividade do mercado de trabalho. Trata-se de investimentos que fortalecem a economia real e, ao mesmo tempo, produzem efeitos sociais diretos sobre os cidadãos, ao gerar rendimentos, estimular o empreendedorismo e reduzir a dependência exclusiva do emprego público.
Este legado – a par da construção de infra-estruturas essenciais – figura entre os mais relevantes que o Presidente João Lourenço deixará ao país. Acresce ainda o alargamento da idade máxima para ingresso na função pública, que passou dos 35 para os 45 anos, uma medida de profundo alcance social. Tal decisão merece realce e reconhecimento, pois, mais do que infra-estruturas físicas, o país precisa de recuperar o sonho, a dignidade e a esperança da sua juventude.
Outro aspecto marcante da minha trajectória de vida, enquanto cidadão e observador atento da realidade social endógena, prende-se com o percurso académico – meu e de muitos outros jovens. A política social no sector da educação continua a ter impacto significativo. Não é perfeita, mas é a possível no contexto existente, e tem permitido o acesso de milhares de jovens às mais variadas oportunidades formativas, promovendo, assim, a mobilidade social. Tal como muitos outros cidadãos, toda a minha formação universitária foi custeada com recursos públicos, desde a graduação até à pós-graduação. Esse investimento do Estado na formação de quadros é, por si só, um indicador de que muito está a funcionar, ainda que persistam desafios estruturais importantes.
Em síntese, há avanços concretos que merecem ser reconhecidos. O essencial, daqui em diante, é saber consolidá-los, corrigir o que não funciona e, sobretudo, continuar a abrir caminhos reais de oportunidade para a juventude angolana.

