No último sábado, 28, uma manifestação em Luanda foi novamente impedida pelas forças policiais. O protesto tinha como principal reivindicação a libertação do General Nila, de Osvaldo Kaholo e de outros activistas detidos durante a greve dos taxistas. Nem mesmo o apelo de várias mulheres presentes foi considerado pelas autoridades.
Por: Benhão Sapo
Entre os manifestantes estava a esposa do General Nila, acompanhada por dois filhos e duas sobrinhas menores de idade. Em prantos, a família exigia a libertação do activista, detido há cerca de oito meses, e denunciava alegados maus-tratos por parte da polícia.
Uma das sobrinhas, de 16 anos, relatou a situação: “Estamos a ser maltratados. Disseram que não podemos pedir a libertação do meu tio porque haverá outra actividade aqui.”
A esposa do general também fez um apelo emocionado por justiça: “Libertem o meu marido. Já prenderam mais dois activistas.”
Ela afirmou ainda estar a enfrentar sérias dificuldades para sustentar os filhos devido à ausência do marido: “Esses são os filhos do General Nila. A mais nova, de dois anos, ficou em casa. Eles não estão a estudar porque não tenho como pagar as propinas.”
A manifestação estava prevista para ocorrer no mercado de São Paulo, mas, horas antes, o local já se encontrava fortemente cercado por efectivos policiais, incluindo viaturas da Unidade de Reacção Rápida (URP). Poucos minutos após o início da concentração, os manifestantes foram dispersos.
Durante a tentativa de obter esclarecimentos sobre a proibição do acto, dois activistas — incluindo Luís Antunes, apontado como organizador da marcha — foram detidos e colocados numa viatura policial.

Segundo José Chiz, um dos responsáveis pela organização, a polícia justificou a interdição com a realização de uma actividade ligada ao aniversário de 60 anos da UNITA e à inauguração de uma sede partidária. No entanto, segundo apuração feita no local, o evento estaria a decorrer noutra instalação do partido.
Chiz, membro da UNTRA, afirmou que a manifestação havia sido previamente comunicada às autoridades com um mês de antecedência e classificou a acção policial como uma violação dos direitos dos cidadãos. Ele também dirigiu um apelo ao ministro do Interior, Manuel Homem:
“A situação não se resolve com o uso da força. Isso não vai travar as manifestações. Exigimos a libertação dos activistas detidos e do General Nila. A polícia deve garantir a protecção dos manifestantes, não impedir o exercício desse direito.”
Até ao encerramento desta matéria, não havia informações sobre o paradeiro dos dois jovens detidos durante a tentativa de realização da marcha, convocada pela UNTRA, organização da sociedade civil.

