As cooperativas de higiene e saneamento na província do Icolo e Bengo enfrentam sérias dificuldades devido à falta de meios de protecção e equipamentos adequados. A preocupação foi manifestada pelo presidente da Confederação das Cooperativas e gestor da Cooperativa de Higiene e Saneamento Básico de Angola, Lumpaluki José Silva, que destacou o papel do cooperativismo como importante motor de empregabilidade na província.
Por: Benhão Sapo
Segundo o responsável, cada cooperativa emprega, no mínimo, trinta trabalhadores, maioritariamente jovens. No entanto, o sector enfrenta vários constrangimentos, entre os quais a escassez de apoio por parte de empresários locais, a falta de equipamentos modernos e a dificuldade de adaptação de alguns jovens ao modelo de prestação de serviços, muitas vezes marcado por preconceito.
Lumpaluki José Silva alertou que, sem material adequado, as cooperativas operam com limitações significativas, o que compromete a eficiência dos serviços e pode colocar em risco a saúde dos próprios agentes de limpeza. Apelou aos empresários, instituições financeiras e demais entidades com capacidade de investimento para concederem apoio ao sector, sobretudo através de linhas de crédito com juros acessíveis, permitindo às cooperativas reforçarem a sua capacidade operacional e contribuírem para cidades mais limpas e saudáveis.

Com cooperativas a actuar em zonas como a centralidade do Sequele e Calumbo, o responsável reconheceu que ainda há carência de equipamentos apropriados para os operadores que lidam diariamente com resíduos sólidos, situação que pode, paradoxalmente, comprometer a saúde de quem trabalha na limpeza urbana.
Ao recordar o estado anterior do Sequele, antes da intervenção das cooperativas, descreveu a localidade como suja, com excesso de capim e ambiente sombrio. Contudo, afirmou que, graças à parceria entre a administração local e as cooperativas, a centralidade apresenta actualmente melhorias significativas, sendo considerada um exemplo de organização e limpeza.
O responsável aproveitou ainda para enaltecer o desempenho do Governo Provincial de Icolo e Bengo, destacando o apoio já concedido, incluindo a entrega de motorizadas e outros equipamentos que impulsionaram o funcionamento das cooperativas. Ainda assim, reiterou o apelo para que o executivo provincial intensifique esforços na captação de investidores que possam estabelecer parcerias estratégicas com as cooperativas, reforçando a criação de emprego e a melhoria dos serviços de saneamento.
A situação ocorre num contexto em que várias cooperativas de ambiente e saneamento que operam em Luanda também têm denunciado a falta de valorização dos seus serviços, evidenciando desafios comuns enfrentados pelo sector.


