O presidente da FNLA, Nimy a Nsimba, desvalorizou esta semana a nomeação do militante Ndonda Nzinga como coordenador da comissão preparatória do congresso electivo do partido, previsto para setembro próximo, alegando falta de condições financeiras para a sua realização.
Por : Benhão Sapo
De acordo com os estatutos, a convocação do congresso é competência do presidente do partido, cabendo ao Comité Central a criação da comissão preparatória. Entretanto, dois dias após as declarações do líder, os membros indicados pelo Comité Central para a organização do conclave tomaram posse nesta sexta-feira, 10 de abril, em Luanda. A comissão é coordenada por Ndonda Nzinga e coadjuvada por Marquinha Miguel Firmino.
“O congresso será realizado, mas Ndonda Nzinga não é o coordenador da comissão preparatória. Temos enfrentado dificuldades financeiras. A FNLA recebe trimestralmente 15 milhões de kwanzas do OGE, o que não é suficiente”, afirmou..
Segundo o presidente do presídio, Augusto Sumbula, a comissão foi criada após o abandono considerado injustificado do presidente, do vice-presidente e do secretário-geral da reunião do plenário do Comité Central, realizada nos dias 13 e 14 de março, motivado por alegadas divergências quanto à convocação e à criação de condições para o congresso.
Após a tomada de posse, Ndonda Nzinga assegurou que estão reunidas as condições para a preparação e realização do congresso, que deverá eleger o novo presidente da FNLA em setembro.
“Existe uma norma que permite aos membros do Comité Central tomar decisões de acordo com a ordem de trabalhos. Assim, foi constituída a comissão preparatória, que já divulgou a sua composição de âmbito nacional. Em breve, iniciaremos os trabalhos, que terão a duração de seis meses, conforme os estatutos”, explicou.
O responsável adiantou que o processo incluirá a realização de 21 assembleias para eleição de delegados, bem como a integração de representantes da diáspora, da AMA, da JFNLA, dos antigos combatentes e de delegados a serem indicados pelo Bureau Político, formando o colégio eleitoral que escolherá o novo líder do partido.
Sobre o risco de realização de dois congressos, face às divergências internas, Ndonda Nzinga reconheceu essa possibilidade, mas manifestou confiança nas instâncias judiciais.
“A FNLA tem um histórico jurídico consolidado e acreditamos que o tribunal decidirá de acordo com os estatutos”, afirmou.
O militante defendeu ainda a necessidade de reorganização interna do partido, com vista aos desafios políticos de 2027, ano das próximas eleições gerais em Angola, desvalorizando, por outro lado, as declarações do presidente sobre a alegada ilegitimidade da comissão preparatória

