A escassez de água potável no bairro Ângelo, no município de Cacuaco, tornou-se uma realidade preocupante para os moradores da região. A ausência de uma rede pública de abastecimento tem obrigado as famílias a recorrerem a alternativas precárias para garantir o acesso ao bem essencial.
Por: Benhão Sapo
Sem fontanários ou sistema regular de distribuição, muitos residentes dependem de tanques particulares pertencentes a famílias com melhores condições financeiras, que compram água fornecida por camiões-cisternas. O custo de um bidão de 20 litros chega a 100 kwanzas, valor considerado elevado para famílias em situação de vulnerabilidade.
De acordo com os moradores, além do preço, a qualidade da água também é motivo de preocupação. Dona Maria André relata que a água adquirida apresenta, frequentemente, uma coloração acastanhada, o que levanta dúvidas quanto às condições de higiene e armazenamento. Ainda assim, por falta de alternativas, as famílias acabam por consumir a água, mesmo cientes dos riscos à saúde.
“A situação da água é precária. Não temos fontanários. Nos tanques, o bidão custa 100 kwanzas. A água não tem qualidade, às vezes vem com cor acastanhada, mas não temos outra solução senão utilizá-la”, lamentou.
Ao percorrer o bairro, é comum ver mulheres, crianças e idosas transportando bidões e bacias sobre a cabeça, em busca de água para o consumo diário. A população sente-se abandonada pelas autoridades, afirmando não haver sinais visíveis da implementação do programa governamental “Água para Todos” na localidade, situada nas imediações do bairro Belo Monte, entre os municípios de Cacuaco e Viana.
“Nós aqui só vivemos por viver, tudo está mal. Não sabemos se os governantes conhecem esta zona ou não”, desabafou Joana José, uma das moradoras.
Embora o Governo angolano, por meio do Ministério da Energia e Águas, tenha implementado projectos de distribuição e construído barragens em várias regiões do país, os moradores questionam por que razão, apesar dos recursos hídricos existentes, comunidades como o Ângelo continuam sem acesso regular à água potável.
A situação exige uma intervenção urgente das autoridades, com investimentos na expansão da rede pública de abastecimento, fiscalização da qualidade da água comercializada e implementação efectiva de políticas que garantam o acesso universal a este recurso indispensável à vida.


