Os profissionais ligados à carpintaria, situados na conhecida paragem das Camas, adjacente ao mercado do Kicolo, manifestaram grande preocupação com o elevado custo dos materiais, situação que, segundo afirmam, tem condicionado seriamente o exercício da actividade.
Por: Redacção
Num contexto económico marcado pela perda do poder de compra das famílias angolanas, os agentes comerciais enfrentam dificuldades crescentes na aquisição de produtos, o que acaba por reflectir nos preços finais ao consumidor. Esta realidade afecta diversos sectores da vida económica e social do país, incluindo a carpintaria.
Os profissionais da área aguardam por um alívio económico que possa devolver o poder de compra às famílias e dinamizar o sector. Domingos Neto Handa, conhecido como mestre Neto, exerce a profissão há mais de uma década. Segundo relatou, aprendeu o ofício com a ajuda de amigos e enfrentou muitas dificuldades no início da carreira.
“No momento trabalho com onze ajudantes e fico muito feliz quando vejo jovens a pedirem para aprender a profissão. Temos recebido clientes de vários pontos do país, mas é pena que os preços dos materiais continuem a subir a cada dia que passa”, lamentou.
Por sua vez, Guilherme Francisco, mestre de carpintaria há três anos, afirmou que aprendeu a profissão com o incentivo da avó. “Os preços variam de acordo com o tamanho e a qualidade dos materiais utilizados. As dificuldades não faltam em nenhuma profissão, mas apesar disso continuamos firmes para contribuir para o desenvolvimento da nossa sociedade”, afirmou, acrescentando que exerce a actividade desde os anos 90 e dela retira o sustento da sua família.
Já o jovem Santos, também conhecido por Tchunami, ajudante de carpintaria há três meses, destacou as dificuldades do quotidiano e alertou que estas não podem servir de justificação para os vícios que afectam alguns jovens.
“Tomara que os jovens aprendam uma profissão, porque dela podem tirar dinheiro para sustentar as suas necessidades. O mundo das drogas, do roubo e da prostituição não nos leva a lado nenhum. Só existem dois caminhos: a cadeia ou a morte. Com o pouco que ganhamos, conseguimos levar o pão às nossas famílias”, concluiu.


