Em vários hospitais da província de Luanda, acompanhantes de pacientes enfrentam condições precárias ao serem impedidos de permanecer no interior das unidades hospitalares durante a noite. Sem alternativas, muitos recorrem à compra de papelões vendidos por jovens nas imediações dos hospitais, utilizando-os como camas improvisadas enquanto aguardam por informações sobre os seus familiares internados.
Por:Benhão Sapo
Essa prática, que se tornou comum em diferentes unidades de saúde, revela não apenas a vulnerabilidade dos acompanhantes, mas também uma forma de subsistência encontrada por jovens em meio à crise económica, que fazem da venda de papelões o seu ganha-pão diário.
Apesar de conscientes dos riscos, os acompanhantes continuam a passar as noites ao relento, expostos a assaltos, ameaças de chuva e a possíveis doenças decorrentes das condições insalubres. No Hospital do Prenda, por exemplo, muitos dormem em áreas adjacentes, como passeios e becos, enfrentando insegurança constante.
“Estamos aqui porque temos um paciente internado há duas semanas. Dormimos no beco ou à beira da estrada, porque não há espaço lá dentro para ficarmos”, relatou dona Mena.
Já dona Neuma Josefina e Maria João, que acompanham familiares internadas há cinco dias, afirmam: “Passamos a noite aqui para não perdermos qualquer chamada. Não é permitido ficar dentro do hospital. Há jovens drogados que circulam à noite, por isso precisamos redobrar os cuidados para não sermos assaltadas.” Ambas também destacaram a preocupação com as chuvas e os impactos na saúde.
Diante desse cenário, os acompanhantes apelam à direção dos hospitais para a criação de espaços adequados de acolhimento, que garantam maior segurança e dignidade, evitando a exposição a riscos durante a noite.
Por outro lado, o Ministério da Saúde tem vindo a implementar políticas de humanização hospitalar, com foco na melhoria das condições de acolhimento. Entre 2017 e 2024, foram inauguradas 189 novas unidades sanitárias, muitas delas já contemplando áreas de apoio aos acompanhantes. A estratégia inclui ainda a construção de “casas de espera”, sobretudo em maternidades e zonas rurais, com o objetivo de reduzir os riscos associados à permanência ao relento e assegurar melhores condições de assistência e dignidade para pacientes e seus familiares.

