Após a realização do funeral de um dos três jovens encontrados mortos na via pública, familiares de Orlando Barros da Silva, de 22 anos, acusam o Serviço de Investigação Criminal (SIC) de o ter confundido com o irmão mais velho.
Por: Benhão Sapo
Segundo a família, o jovem poderá ter sido confundido com o irmão, que esteve preso durante cerca de um ano por um crime não esclarecido e foi posteriormente libertado sob termo de identidade e residência há aproximadamente quatro meses.
Em declarações à nossa reportagem, o pai da vítima, Jelson da Silva, afirmou que as autoridades estariam à procura do filho mais velho. “Foi confundido de facto, porque eles procuravam pelo irmão mais velho. Só ele poderá esclarecer o que fez. Esteve preso durante um ano e alguns dias devido a algumas amizades e foi solto sob termo de identidade e residência. Tem cumprido com as assinaturas quinzenais na Procuradoria e não apresenta nenhuma falha. Não sei por que razão o SIC estava à sua procura”, declarou.
Jelson da Silva afirmou ainda que, na noite do ocorrido, o filho o terá contactado a pedir ajuda. “Antes de ser levado, ligou-me a denunciar a situação. Corri para socorrê-lo, mas fui interrompido por um patrulheiro a cerca de 40 metros de casa. Pedi socorro, mas a polícia retirou-se do local sem qualquer explicação e não consegui chegar a tempo de ajudar o meu filho”, relatou.
O pai diz continuar sem esclarecimentos por parte das autoridades e questiona a actuação policial. “Até agora, a polícia não se pronunciou. Parece que se criou o hábito de matar em nome do SIC e nada mais se diz. Não estou conformado. Não sou a favor da delinquência, mas há exageros. Que tipo de Estado mata pessoas inocentes? O SIC tem dados e fotografias, como pode matar alguém inocente?”, questionou.
Orlando Barros da Silva foi sepultado no domingo, 15 de fevereiro, no Cemitério do Benfica, em Luanda.
Entretanto, o Jornal Liberdade informa que continua a tentar obter esclarecimentos junto da polícia sobre a morte dos três jovens, cujas famílias acusam o SIC de estar envolvido na acção ocorrida na última semana.


