A greve dos trabalhadores da TEXTANG II entrou no seu segundo dia, esta quinta-feira, com os funcionários a aguardarem por respostas que possam trazer melhorias nas suas condições de trabalho.
Por: Benhão Sapo
A paralisação teve início na quarta-feira, 11 de março, e, segundo os trabalhadores, as principais motivações da greve estão relacionadas com a falta de equipamentos de protecção individual, baixos salários e alegados atrasos no pagamento.
De acordo com Afonso Sebastião, um dos grevistas, o não aumento salarial e as más condições de trabalho são algumas das principais preocupações dos funcionários. O trabalhador afirmou ainda que a matéria-prima utilizada no processo de produção contém elevados níveis de produtos químicos, o que representa riscos à saúde, sobretudo pela falta de meios adequados de protecção.
“Até ao momento estamos em negociação, mas a empresa alega não ter condições para aumentar os salários. Isso deixa-nos constrangidos, tendo em conta que a empresa pertence ao Ministério da Defesa Nacional e somos nós que fabricamos as fardas”, denunciou.
Laurinda Domingas João, secretária da comissão sindical para a área das mulheres, afirmou que actualmente recebe apenas um subsídio de cerca de 100 mil kwanzas. Segundo ela, as reclamações relacionadas com aumento salarial, atrasos de pagamento e ausência de subsídios de alimentação, saúde e transporte já constam há algum tempo no caderno reivindicativo dos trabalhadores.
“Não temos nenhuma resposta satisfatória por parte da direcção da empresa”, lamentou.
Outro funcionário, identificado como João Zé, reforçou que a direcção da empresa tem evitado pronunciar-se sobre as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores.
“Confirmo que a direcção não quer dar esclarecimentos sobre o nosso assunto. A situação salarial já dura há cerca de três anos e gostaríamos de começar a receber os salários de forma regular. Além disso, o salário é de apenas 100 mil kwanzas e não há subsídio de alimentação nem de transporte. Tudo sai do próprio salário”, afirmou.
O trabalhador acrescentou ainda que muitos colegas já contraíram problemas de saúde devido à exposição a substâncias químicas, agravada pela falta de equipamentos de protecção fornecidos pela empresa.
A situação atraiu ao local jornalistas de vários órgãos de comunicação social. No entanto, até ao momento, a direcção da empresa recusou-se a prestar declarações à imprensa sobre o assunto.

