No bairro Ângelo, município de Cacuaco, em Luanda, o policiamento de proximidade está cada vez mais distante dos munícipes. Moradores denunciam que a intervenção da polícia na localidade depende, alegadamente, da contribuição financeira das próprias vítimas, que são obrigadas a alugar motorizadas para garantir o deslocamento dos efectivos policiais até ao local das ocorrências.
Por : Benhão Sapo
Em um momento em que os níveis de criminalidade têm aumentado de forma preocupante, os residentes dizem viver sob constante insegurança, devido à fraca presença policial e à falta de meios de patrulhamento.
A cidadã Madó Pedro afirma que a situação da segurança no bairro é crítica, sobretudo pela ausência de rondas regulares. Segundo ela, sempre que ocorre um incidente que exige intervenção imediata, os moradores precisam deslocar-se até à esquadra e custear o transporte dos agentes.
“Quando há problemas aqui, a polícia só vem se nós alugarmos uma mota para levá-los. O patrulhamento é muito fraco”, lamentou.
Paulo André, adolescente de 14 anos, que se encontrava acompanhado de amigos, contou que abandonou a escola por dificuldades financeiras e descreveu o bairro como um local extremamente perigoso.
“Viver aqui é muito complicado. Há muita criminalidade. Só existe uma esquadra e a polícia só aparece quando há notícia de morte”, afirmou.
Suzana da Silva, residente no bairro há mais de dez anos, relatou já ter presenciado várias lutas entre grupos rivais e assaltos sem qualquer intervenção policial. Grávida de cerca de seis meses, lamentou o que considera abandono por parte das autoridades.
“Vivo aqui desde 2014 e falta quase tudo. Quando há problemas, a polícia não vem. Estamos a viver só com Deus”, desabafou.
Os moradores apelam às autoridades competentes para o reforço urgente do policiamento, a disponibilização de meios adequados e a implementação efectiva do policiamento de proximidade, de modo a garantir a segurança pública e a tranquilidade das famílias do bairro Ângelo.


