Moradores do Zango-3, na província de Icolo e Bengo, denunciaram a alegada ocupação ilegal de um espaço público destinado à construção de infraestruturas sociais. Segundo os residentes, um cidadão estaria a erguer moradias no local com apoio de seguranças conhecidos como “caenches”.
Por: Benhão Sapo
A denúncia foi feita à imprensa no último fim-de-semana por um grupo de moradores da zona. De acordo com o antigo coordenador da comissão local de moradores (2012-2017), José de Oliveira, o terreno ocupado havia sido anteriormente reservado para a construção de infraestruturas sociais destinadas à comunidade.
“O espaço foi reservado para escolas, centros de saúde e outras infraestruturas para os moradores. No entanto, estão a tentar invadir o terreno para construir casas em benefício próprio. Já apresentámos cartas à administração e à fiscalização, inclusive ao administrador municipal, mas até agora não obtivemos qualquer resposta”, afirmou.

Os moradores acrescentam que o Zango-3 enfrenta carência de infraestruturas sociais, situação que, segundo eles, se mantém há cerca de 15 anos. Por essa razão, defendem que o espaço seja utilizado para projectos públicos que beneficiem a população.
“Queremos que sejam construídas escolas, bancos comerciais, centros de saúde e espaços de recreação. Este é um dos bairros mais penalizados; há 15 anos que enfrentamos dificuldades, inclusive no acesso à água. Não somos contra a utilização do espaço, mas queremos que seja o Estado a desenvolver projectos para a comunidade, e não invasores a construir casas para vender”, defenderam José de Oliveira e Hermelinda Mateus.
Os residentes recordam ainda que muitos foram realojados no Zango-3 desde 2017, com a promessa de que a zona teria áreas de lazer e serviços básicos, como campos de futebol, quadras desportivas e caixas automáticas (ATM). No entanto, afirmam que sucessivas invasões de terrenos têm impedido a concretização desses projectos.
A situação provocou momentos de tensão na última sexta-feira, quando moradores e seguranças contratados pelo suposto proprietário do terreno se envolveram em discussões no local. Os seguranças teriam sido contratados para conter a revolta dos munícipes enquanto materiais de construção eram descarregados.
Para acalmar os ânimos, um responsável da fiscalização deslocou-se ao local e esclareceu que a instituição não autorizou a ocupação do espaço. Ainda assim, segundo testemunhas, os trabalhos de descarga de materiais continuaram, com apoio dos seguranças.
Contactado pela nossa reportagem, um dos seguranças afirmou que foi apenas contratado para prestar serviço por Rafael João. Este, por sua vez, declarou que também teria sido contratado para executar a obra pelo suposto proprietário do terreno, Mauro Aleixo, que não aceitou gravar entrevista.
Já o administrador municipal do Calumbo, Francisco Tchipilika, disse não ter conhecimento da situação, alegando que se encontrava de férias no momento em que foi contactado.

