Os moradores do Sector 9, conhecido como Teto Vermelho, no município do Panguila, província do Bengo, manifestam indignação face ao alegado esquema de cobrança indevida para a instalação de água da rede pública nas residências.
Por: Benhão Sapo
Segundo os munícipes, em 2024 um grupo de indivíduos, que se apresentava como pertencente à Empresa Pública de Águas de Luanda (EPAL), terá passado de casa em casa a cobrar o valor de 1.500 kwanzas por família, com a promessa de realizar canalizações que permitiriam o fornecimento de água potável ao domicílio. No entanto, dois anos depois, o projecto nunca foi executado e os moradores desconhecem o paradeiro dos responsáveis e o destino do dinheiro arrecadado.
Nelson Ignácio, um dos residentes, afirma que o sentimento é de revolta e frustração. “Disseram que eram da EPAL, cobraram dinheiro com a promessa de colocar água nas nossas casas, mas nada foi feito. Isso é burla”, denunciou.
Outro morador, António da Costa, relatou que pagou três mil kwanzas por possuir duas residências. “Vieram em nome de uma ONG autorizada pelo Governo, mas desapareceram. Estamos tristes porque fomos enganados”, lamentou.
Sem acesso à água da rede pública, os habitantes continuam a consumir água não tratada, retirada do rio Kifangondo e comercializada por camiões-cisterna. Juliana Domingos alerta para os riscos à saúde, referindo que tanto crianças como adultos apresentam, com frequência, dores de barriga após o consumo da água. “Vivemos tranquilos aqui, mas falta-nos água potável. A água das cisternas não tem qualidade, apenas serve para remediar”, explicou.
Os moradores apelam à administração municipal para que acelere a implementação do sistema de abastecimento de água, à semelhança do que já acontece noutros sectores do município. “Agora que Panguila é município, esperamos mais trabalho. Reconhecemos melhorias no saneamento, mas precisamos mesmo é de água”, reforçaram.

Em resposta, o administrador municipal, Domingos João Lourenço, que está há três meses em funções, afirmou desconhecer o sucedido. O responsável aconselhou os cidadãos a confirmarem previamente junto da administração qualquer iniciativa do género antes de efectuarem pagamentos e garantiu que decorre um projecto para levar água potável a todas as comunidades do município.
“Estou à frente do município há apenas três meses e não tenho conhecimento do que aconteceu no ano passado. Contudo, as pessoas não devem aceitar esse tipo de proposta sem confirmação oficial. Estamos a trabalhar para garantir água em todas as zonas”, assegurou.


