O presidente do Movimento dos Estudantes de Angola (MEA), Francisco Teixeira, afirmou que o sistema político conduzido pelo MPLA está distante de responder às necessidades básicas da população angolana, sustentando que não existem pessoas verdadeiramente comprometidas com o país no seio do actual regime.
Por : João Afonso
As declarações foram feitas em entrevista exclusiva ao Jornal Liberdade, na qual Teixeira abordou o fim do seu mandato à frente do MEA, a situação socioeconómica do país e as suas perspectivas políticas futuras.
Questionado sobre a possibilidade de aceitar um cargo ministerial num eventual convite do governo, Francisco Teixeira foi peremptório:
“Não sonho trabalhar no governo do MPLA, porque não há pessoas comprometidas com o país. Não penso, em momento algum, trabalhar para esse sistema.”
Segundo o dirigente estudantil, a realidade socioeconómica e política de Angola tem comprometido seriamente sectores fundamentais, com destaque para o ensino, a saúde, a agricultura e as condições de vida dos trabalhadores.
Projecto político
Ao falar sobre o seu futuro político, Teixeira esclareceu que não é o primeiro jovem ou académico a enveredar pela política, sublinhando que a sua iniciativa nasceu de forma espontânea, motivada pelos problemas estruturais do país.
“O que me motivou a ingressar na política tem a ver com os abusos contra os trabalhadores, a extrema pobreza, o sistema de saúde, a agricultura e a forma como são aplicados os investimentos públicos em vários sectores do país.”
O ainda presidente do MEA afirmou que o movimento estudantil, apesar do seu papel relevante, tem limitações, razão pela qual decidiu criar um projecto político próprio.
“Pretendo fazer política séria, não para brincar. Espero que compreendam a minha saída do MEA, porque o maior objectivo é chegar ao poder”, afirmou.
Situação do ensino preocupa
Francisco Teixeira manifestou ainda profunda preocupação com o início de cada ano lectivo, descrevendo um cenário de sofrimento para crianças, pais e gestores do sector da educação.
“Vejo tristeza no rosto das crianças e amargura no rosto dos responsáveis. Quando começa o ano lectivo, já sei que começa o sofrimento. Muitas crianças ficam fora do sistema de ensino, o que representa um enorme sacrifício para as famílias.”
Entre os principais problemas, destacou a falta de carteiras, casas de banho sem condições mínimas, ausência de agentes de segurança e outras carências estruturais em muitas instituições de ensino.
Apesar das dificuldades, reconheceu a resiliência do estudante angolano:
“O aluno angolano é guerreiro e sofredor. Estuda em condições precárias, forma-se e muitos hoje exercem cargos importantes no país. Isso satisfaz-me, mas não podemos aceitar que essas condições continuem.”
Balanço do mandato no MEA
Sobre o fim do seu mandato, Francisco Teixeira disse sair com um sentimento de dever cumprido, garantindo que deixa o MEA fortalecido e mais representativo a nível nacional.
“Estou consciente de que deixo o MEA num nível mais alto, saudável e mais conhecido do que encontrei. Hoje o movimento está representado em todas as províncias e é uma das organizações estudantis mais actuantes dos últimos cinco anos.”
O dirigente desejou sucesso à nova direcção, apelando para que continue a elevar o nome da organização.
O MEA, recorde-se, é uma organização que actua na defesa dos direitos e deveres dos estudantes, lutando pela melhoria das condições do sistema de ensino em Angola.

