Profissionais da comunicação social defendem que a solidariedade no seio da classe jornalística deve ser uma prática permanente e não apenas manifestada em momentos de luto. O apelo foi feito à margem das exéquias fúnebres da jornalista da Emissora Católica de Angola, Vanda Marisa de Carvalho, sepultada na última terça-feira, 3 de Fevereiro, no cemitério da Santa Ana, em Luanda.
Por : João Afonso
Em declarações à imprensa, Abílio Cândido, jornalista da Rádio MFM, elogiou a iniciativa de criação de um grupo de WhatsApp que mobilizou jornalistas e cidadãos singulares para apoiar a colega, mas lamentou a falta de maior coesão na classe.
“Infelizmente vejo maior concentração de colegas apenas em óbitos e em grandes coberturas jornalísticas, o que, para mim, é reprovável”, afirmou.
O profissional aproveitou ainda a ocasião para criticar as instituições responsáveis pela regulação da actividade jornalística no país, acusando-as de falta de apoio aos profissionais.
“Lamento a postura de algumas instituições que não ajudam jornalistas em conflito com a lei. Está na altura de a classe unir-se cada vez mais para caminharmos juntos”, acrescentou.
Por sua vez, Neto Júnior, jornalista da Televisão Pública de Angola (TPA), destacou o que considera ser “um pouco de solidariedade” demonstrada durante o acto fúnebre, sublinhando tratar-se de uma manifestação cultural da sociedade angolana.
“Devemos praticar estes gestos de solidariedade por fazerem parte da nossa cultura, mas nada disso preenche o vazio que a Vanda de Carvalho deixa. A ajuda material deveria ter sido feita enquanto esteve em vida. Acredito que nem todos os que estiveram presentes no último adeus a acompanharam durante o período em que esteve doente”, lamentou.
Ainda assim, Neto Júnior defendeu que a classe jornalística demonstra união:
“Vi muitos jornalistas de diferentes órgãos. Não deveria ser neste momento que nos uníssemos. Somos todos participantes de um processo de informação, educação e entretenimento da sociedade. Não há barreiras entre nós; devemos construir pontes para honrar a profissão.”
O jornalista Agostinho Gayeta considerou o gesto positivo, mas alertou que a solidariedade precisa ser contínua:
“Devemos ajudar as pessoas em vida. Essa ajuda pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Não podemos esperar que a situação chegue ao ponto mais crítico. A união deve ser permanente e consistente.”
Já Justino Ngonde, jornalista da Rádio Ecclésia em Malanje, reconheceu a iniciativa que mobilizou pessoas de vários extractos sociais na contribuição financeira a favor da malograda e apelou à continuidade dessas acções.
“Essas iniciativas devem servir de exemplo para enaltecer e harmonizar cada vez mais a família jornalística”, afirmou.
Recorde-se que Vanda Marisa de Carvalho faleceu vítima de doença prolongada. A jornalista foi homenageada pela CEAST, após completar 25 anos de trabalho na Emissora Católica de Angola.


