A ausência de vários serviços sociais continua a inquietar e a comprometer o modo de vida dos habitantes da cidade de Luanda, que diariamente enfrentam enormes desafios para satisfazer as necessidades básicas. As reflexões foram feitas este domingo, data em que a capital do país assinala 450 anos de existência. Apesar do actual contexto económico e social, cada luandense celebra o aniversário com entusiasmo e esperança em dias melhores.
Por: Redacção
Dos vários cidadãos entrevistados pelo nosso jornal, emerge uma ideia comum: o desejo de ver uma Luanda melhor, mais inclusiva e com igualdade de oportunidades. Abel José Tchanga, pedreiro e residente no município de Cacuaco, afirmou que “Luanda carece de tudo um pouco”. Segundo ele, não se compreende como é que, sendo a capital do país, muitos serviços não funcionam em pleno. “Quando as pessoas reclamam, são vistas como desordeiras. É preciso que os nossos governantes sejam sinceros e cumpram com as suas obrigações”, defendeu.
Por sua vez, Augusto Patrício dos Anjos, residente no bairro Boavista, apontou a falta de transportes públicos como a principal dificuldade do seu dia a dia. “Para chegar ao meu local de trabalho gasto, por dia, cerca de dois mil kwanzas, e o mais grave é que os nossos chefes não querem saber se vivemos perto ou longe”, desabafou.
Amadeu Lourenço, residente em Luanda há mais de duas décadas, recordou com nostalgia o passado, afirmando que “viver em Luanda era motivo de grande orgulho, não havia tantos problemas como hoje e as coisas funcionavam melhor”. Na ocasião, lembrou o tempo dos autocarros de borracha que circulavam por quase toda a cidade. “No futuro, gostaria de ver uma Luanda com mais oportunidades, sobretudo na questão do emprego”, acrescentou.
Outro cidadão ouvido foi João Vunda, contabilista e professor, residente em Cacuaco. Para ele, um dos maiores desafios actuais da capital está relacionado com o crescimento demográfico desordenado, que não foi acompanhado por um adequado planeamento urbanístico. “Essa explosão populacional trouxe consigo vários problemas. Viver em Luanda exige uma grande dinâmica: acordamos muito cedo e regressamos a casa à noite”, explicou. Apesar de reconhecer algumas melhorias pontuais, considera essencial que os serviços sociais funcionem de forma eficaz. “Desejo ver uma Luanda com um novo modelo urbanístico, mais zonas verdes, espaços de lazer para as crianças, campos de futebol, cinemas, vias em boas condições e hospitais que funcionem com bom atendimento”, defendeu.
Domingas Inês Coxi, doméstica e residente no Cazenga, apontou a falta de água como um dos maiores problemas enfrentados pela população. “Há momentos em que somos obrigados a acordar muito cedo e percorrer longas distâncias para encontrar água, que muitas vezes temos de comprar a preços elevados. Os governantes precisam de saber que fomos nós que os elegemos e que devem trabalhar para o bem-estar das populações”, apelou.
Já Ernesto Domingos, marceneiro e residente no Hoji Ya Henda, destacou a escassez de hospitais públicos de nível primário nas comunidades. “Não faz sentido que, por uma simples febre ou paludismo, tenhamos de recorrer imediatamente aos grandes hospitais. E quando lá chegamos, o atendimento é outra dor de cabeça”, concluiu.

