O Dia dos Namorados, celebrado a 14 de Fevereiro, homenageia Valentim de Roma, mártir cristão do século III que, segundo a tradição, realizava casamentos em segredo, contrariando as ordens do imperador romano.
Por: Redacção
A data é, hoje, marcada pela troca de presentes, jantares românticos e demonstrações públicas de afecto.
Contudo, diferentes vozes da sociedade defendem que o significado do namoro tem sofrido alterações profundas ao longo do tempo.
Valores versus bens materiais
Para o professor e psicólogo Bruno Paixão, a data é importante por recordar o início de uma relação amorosa entre um homem e uma mulher. No entanto, considera que o namoro contemporâneo está cada vez mais associado à busca de bens materiais, em detrimento de valores como amor, perdão, paz e partilha.
Segundo o especialista, é fundamental que os jovens amadureçam emocional, física, material e psicologicamente antes de iniciarem um relacionamento, a fim de evitar problemas que se têm tornado frequentes na sociedade.
A questão legal e a maioridade
O jurista Avelino Justino Kamabanda recorreu à Constituição da República de Angola para explicar que, embora não exista uma idade específica definida para começar a namorar, o artigo 24.º estabelece que a maioridade é adquirida aos 18 anos. Ainda assim, observa-se que muitos adolescentes iniciam relacionamentos antes dessa idade, muitas vezes com o silêncio ou consentimento implícito dos pais.
A jovem Maria Celeste Mungongo, finalista do curso médio de Enfermagem, alertou para as consequências do namoro precoce, destacando a gravidez na adolescência como uma das principais preocupações.
O namoro de outros tempos
Casado há mais de uma década, João Mário recorda que, no passado, o namoro era uma etapa de conhecimento e preparação não apenas entre os jovens, mas também entre as famílias.
“Os jovens frequentavam a casa um do outro, acompanhados pelas tias. Havia tempo para conhecer hábitos e costumes. O sexo não fazia parte do vocabulário. Hoje, tudo está diferente”, afirmou, defendendo maior envolvimento dos pais e da sociedade na orientação dos filhos.
Na mesma linha, Sebastião Luís, residente na província do Bengo, considera que o 14 de fevereiro não deve ser a única data para celebrar o amor. “O namoro deve ser cultivado todos os dias”, sublinhou, alertando também para relacionamentos motivados por dificuldades económicas.
Vicente Lucas Katanha, morador de Cacuaco, destacou que não existe um tempo determinado para a duração do namoro. “O mais importante é que as pessoas se apaixonem todos os dias”, referiu, manifestando a expectativa de que a data resulte em mais pedidos de casamento.
O papel da família e da fé
Teresa Kiala, comerciante residente no município do Cazenga, recorda com nostalgia o seu período de namoro, iniciado na igreja, no grupo juvenil de que fazia parte. Conta que um dos requisitos apresentados ao então pretendente – hoje seu esposo – foi a integração entre as famílias.
“Depois do meu ‘sim’, ele tinha a obrigação de frequentar a casa dos meus pais, e eu a dos pais dele. Assim conseguimos ultrapassar muitas barreiras. O segredo de um bom namoro e de uma vida a dois é saber o que se pretende para o futuro, promover a convivência entre as famílias e colocar Deus no centro da relação”, concluiu.
Entre memórias do passado e desafios do presente, o consenso entre os entrevistados aponta para a necessidade de resgatar valores como diálogo, respeito, responsabilidade e compromisso, para que o namoro continue a ser uma base sólida para a constituição da família e o fortalecimento da sociedade.


