O que começou como uma insistência amorosa terminou em tragédia. Djamila dos Santos, de 22 anos, perdeu a vida após ter sido vítima de um incêndio alegadamente provocado por um jovem identificado apenas como “Mário”, apontado como seu pretendente.
Por: Redacção
Segundo relatos da família, o suspeito teria ateado fogo à residência da jovem depois de ver recusada uma possível relação amorosa. De acordo com a prima da vítima, Helena Gonçalves, Djamila nunca manteve qualquer relacionamento com o acusado, tratando-se apenas de alguém que demonstrava interesse por ela.
“Ao perceber que o seu interesse não era correspondido, ele passou a fazer ameaças dias antes do ocorrido. Mesmo já hospitalizada, Djamila continuou a receber mensagens ameaçadoras”, contou a familiar.
A jovem foi socorrida e internada no Hospital Neves Bendinha, também conhecido como Hospital dos Queimados, em Luanda, onde permaneceu menos de cinco dias, não resistindo à gravidade dos ferimentos.
Os restos mortais de Djamila já repousam no cemitério do Sassa na zona da açucareira. Durante a missa de corpo presente, o padre Zacarias Castanheira iniciou a homilia com uma reflexão sobre os momentos que unem as pessoas ao longo da vida: o nascimento, o casamento e a morte. O sacerdote apelou à união familiar e ao amor ao próximo, manifestando solidariedade diante do caso que abalou a comunidade do bairro Cawango.
A tragédia reacende o debate sobre a violência motivada por ciúmes e conflitos passionais, bem como sobre a necessidade de maior protecção às mulheres e de acções preventivas por parte da comunidade.
A família da jovem apela às autoridades para que o caso seja investigado com rigor e que os responsáveis sejam responsabilizados. “Poderíamos ter feito justiça pelas próprias mãos, mas confiamos nas autoridades”, declarou um familiar, reforçando o desejo de que o crime não fique impune.
Djamila dos Santos frequentava a 10.ª classe no Liceu 4 de Fevereiro 379. A sua morte, ocorrida na madrugada do dia 19 de fevereiro do corrente ano, deixou a comunidade consternada e levanta novamente a reflexão sobre os limites da rejeição e os perigos da violência baseada na intolerância ao “não”.

