Com o foco nas eleições gerais de 2027, os partidos políticos angolanos intensificam as suas actividades no período pré-eleitoral, procurando mobilizar militantes e conquistar o eleitorado com vista à apresentação dos seus futuros programas de governação.
Por:João Afonso
No último fim de semana, diversas formações políticas deslocaram-se ao interior do país, centrando os seus discursos nas eleições do próximo ano. O MPLA escolheu a província do Cuanza-Norte para a abertura do seu ano político. Já o PRA-JA Servir Angola esteve na província de Malanje, onde mediu a pulsação dos seus militantes. Por sua vez, o Partido Liberal realizou actividades no centro do país com o objectivo de transmitir a sua mensagem política.
A UNITA assinalou a data do aniversário da morte do seu fundador, Jonas Savimbi, promovendo encontros em vários pontos do país, onde manteve contacto directo com militantes e com a população em geral.
O historiador Dinis Miguel considera normal esta movimentação dos partidos nesta fase, sublinhando que os discursos tendem a estar centrados na conquista do eleitorado. Segundo o académico, “quem se adianta na corrida eleitoral tem maiores hipóteses de vencer as eleições ou de alcançar resultados mais expressivos no pleito”.
Entre os partidos que ainda não realizaram a abertura oficial do ano político está o PRS. O seu presidente, Benedito Daniel, afirmou que estão a ser criadas as condições para a realização do acto, com os olhos voltados para as próximas eleições. “Estamos conscientes da nossa obrigação enquanto direcção do partido e, na hora certa, poderemos comunicar onde e quando será a abertura do ano político”, declarou.
Questionado sobre o surgimento de novos partidos políticos, Benedito Daniel considerou o facto positivo, destacando que estas formações terão de trabalhar para consolidar a sua implantação, demonstrar os seus valores, ideologias e apresentar programas de governação consistentes. “Se continuam a surgir novos partidos, é sinal de que o país ainda tem espaço. Nós temos o nosso espaço conquistado e resta-nos consolidá-lo, reactivar as bases e progredir”, afirmou.
O líder do PRS fez ainda questão de sublinhar que o seu partido se diferencia no panorama político angolano por defender um modelo de governação assente no federalismo. “A maioria dos partidos professa essencialmente o mesmo programa. O nosso é diferente. Pautamo-nos pelo federalismo e não precisamos de nos preocupar com outros partidos. Podemos caminhar juntos, mas sabemos o nosso lugar”, frisou.
Entretanto, importa recordar que, recentemente, a província do Huambo foi palco de um episódio de intolerância política, envolvendo militantes do MPLA e da UNITA. O confronto resultou na morte de uma militante da Organização da Mulher Angolana (OMA), acto que continua a ser condenado por diversas forças vivas da sociedade.



