O aumento do número de menores envolvidos em actividades comerciais nos mercados de Luanda continua a preocupar a Pastoral da Família no bairro Belo Monte, em Cacuaco. A instituição defende a punição de pais e encarregados de educação que obrigam as crianças a exercer actividades comerciais.
Por: Benhão Sapo
O coordenador da Pastoral da Família da Igreja de São Marcos, Manuel Nfumu Ntonto João, manifestou a sua preocupação neste domingo, 15 de Março, durante uma intervenção aos fiéis daquela comunidade paroquial.
Segundo o responsável, muitos pais estão a comprometer o futuro dos filhos ao incentivá-los a trabalhar nos mercados em vez de frequentarem a escola. Para ele, essas atitudes devem ser punidas pelas autoridades.
“Esses pais merecem uma punição. Hoje estamos a estragar o futuro das nossas crianças. Uma criança deve receber carinho em casa e estar na escola para preparar o seu futuro. Infelizmente, muitas estão nas praças a zungar e nas ruas a recolher ferros, chapas e papelões”, afirmou.
Manuel Nfumu Ntonto João também elogiou a decisão do Governo angolano de encerrar casas de pesagem de metais, locais onde muitas crianças procuravam sustento diário.
O responsável apelou ainda aos pais para que prestem maior atenção à formação dos filhos, evitando colocá-los em situações que possam comprometer o seu desenvolvimento.
De acordo com a Pastoral da Família da Igreja de São Marcos, o elevado fluxo de crianças a exercer actividades comerciais nos mercados da capital está ligado, em grande parte, à actual situação económica do país.
Apesar disso, Manuel Nfumu Ntonto João considera preocupante ver menores envolvidos nessas actividades.
“Há muito fluxo de crianças nos mercados. Algumas estão sentadas nas bancadas a vender, outras estão a zungar pelas ruas. É muito triste para os nossos filhos”, lamentou o coordenador da Pastoral da Família de São Marcos, que também exerce funções como fiscal no Mercado 4 de Fevereiro, em Cacuaco.

