Quinze anos após a implementação do projecto “Água para Todos”, moradores do bairro Morro-Bento, em Luanda, denunciam que continuam sem acesso regular à água potável, apesar das tubagens instaladas em 2012.
Por: Benhão Sapo
Segundo os residentes, as infraestruturas foram montadas com a promessa de abastecer as habitações, sobretudo nas ruas do Saber-Andar, no bairro Cassesse. No entanto, desde a conclusão das obras, a água nunca chegou de forma efectiva às torneiras.
Zau Francisco relata que a única vez que viu água a jorrar foi durante os testes iniciais do projecto, e mesmo assim a água apresentava-se turva. “Praticamente, desde 2012, quando montaram as tubagens no âmbito do programa denominado ‘Água para Todos’, nunca mais saiu água. A primeira e única vez foi quando estavam a fazer os testes”, afirmou.
Augusta Henda, moradora do bairro desde 1992, descreve a dificuldade diária para conseguir água. No momento da entrevista, carregava uma bacia proveniente de um poço privado de outra rua. Segundo ela, a escassez obriga os moradores a recorrerem à compra de água, o que representa um custo elevado para muitas famílias. “Aqui nunca tivemos água. É uma luta constante para comprar. A cisterna custa 30 mil kwanzas. Imagine para nós, que somos domésticas, tirar esse valor. Uma banheira custa 200 kwanzas, e temos muitas necessidades básicas que dependem da água”, lamentou.
Os moradores afirmam ainda que diversas promessas foram feitas pela administração local para resolver o problema, mas até ao momento nada foi concretizado. Alegam que as obras foram iniciadas, porém ficaram inacabadas, sem qualquer explicação clara à comunidade.
Engrácia Sebastião e Augusta Henda, residentes há mais de duas décadas, reforçam o apelo às autoridades e à comissão de moradores para que procurem esclarecimentos sobre a paralisação das obras. “É cansativo sair de uma rua para outra à procura de água, sobretudo num bairro que muitos consideram uma cidade. Precisamos de melhorias urgentes, porque sem água ninguém vive. O sofrimento é grande, e nem todos conseguem comprar uma bacia de água por 250 kwanzas”, advertiram.
A população do Morro-Bento clama por uma solução definitiva para um problema que se arrasta há anos e que continua a comprometer a qualidade de vida das famílias.


