Celebrado a 16 de Fevereiro, o Dia do Repórter é uma data de reconhecimento e valorização dos profissionais que se dedicam à recolha, apuração e divulgação da informação, desempenhando um papel essencial no fortalecimento da democracia, da transparência e da cidadania em Angola.
Por :João Afonso
A efeméride serviu igualmente como momento de reflexão para jornalistas que abraçaram esta nobre missão. Os profissionais apontaram as suas principais dificuldades no exercício da actividade, destacando a carência de condições básicas de trabalho, baixos salários, falta de transporte e riscos constantes no terreno.
Tito Tomás, destacado no grupo Rádio Nacional de Angola (RNA), concretamente na Rádio Cacuaco, considera que ser repórter é entregar todas as energias e pensamentos à comunidade, transformando factos em informações credíveis, sem invenções. Para ele, trata-se de uma responsabilidade extraordinária, que exige versatilidade e dedicação total para garantir um trabalho de excelência.
Já Ribeiro André, jornalista da Rádio Maria, descreve o Dia do Repórter como uma data encantadora e fascinante. Defende que o repórter deve ser o “farejador da notícia”. Mesmo exercendo actualmente funções administrativas, afirma que continua a colocar-se na condição de repórter, compreendendo as dificuldades enfrentadas pelos colegas. Segundo ele, a reportagem é o género jornalístico mais completo, permitindo aprofundar e contextualizar os acontecimentos, seja em pequena ou grande reportagem.
Enquanto orientador de jovens na redacção, Ribeiro André afirma que procura incentivar a criatividade e o empenho, salientando que um verdadeiro repórter é aquele que deixa marcas através do seu trabalho. Reconhece, contudo, que há profissionais que regressam ao local de trabalho sem conteúdos relevantes, situação que associa à falta de criatividade ou preparação, reforçando a necessidade de formação contínua.
Por sua vez, Paulo Quissanga, jornalista da Rádio Ecclésia em Caxito, defende que a data deveria servir para uma atenção mais profunda às condições da classe. Considera que é também momento de autoavaliação, lamentando casos em que alguns profissionais trocam a verdade por interesses financeiros.
Ao recordar experiências marcantes, Quissanga relatou situações de desrespeito por parte de fontes oficiais durante coberturas jornalísticas, incluindo momentos de tensão que evidenciam os riscos associados à profissão. Para ele, o trabalho do repórter continua a ser exercido sob pressão e, por vezes, em ambientes hostis.
O director-geral do Jornal Liberdade, José Virgílio, reconhece que ser repórter não é tarefa fácil. Aponta dificuldades como a falta de transporte, a baixa remuneração e a escassez de meios nas redacções, factores que fragilizam os profissionais e os expõem a situações de suborno e humilhação. Sublinha ainda que muitos repórteres utilizam transporte público para realizar coberturas, devido à ausência de condições adequadas nas instituições.
Rafael Morais, presidente da associação cívica Uyele, descreve o repórter como alguém que caminha nas comunidades, enfrenta o silêncio e o medo, mas não desiste de trazer a verdade. Para ele, cada reportagem feita no terreno constitui uma barreira contra o apagamento da verdade e uma ponte entre o povo e o seu direito à informação. Num contexto em que informar pode representar risco, o trabalho do repórter é, acima de tudo, um acto de coragem e compromisso público.
A importância do repórter na promoção da verdade e da cidadania foi igualmente destacada pelo Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS). Em mensagem alusiva à data, o ministério sublinhou que, face à rapidez da difusão de conteúdos e à expansão das plataformas digitais, o papel do repórter torna-se ainda mais relevante no combate à desinformação e à pós-verdade.


