Recentemente, o jornal Liberdade divulgou uma reportagem sobre adolescentes em situação de mendicidade em algumas esquinas de Luanda, que estariam a ser aliciadas por indivíduos influentes com o objectivo de abusá-las sexualmente.
Por: Benhão Sapo
O sociólogo Mário Sacossengue manifestou preocupação com a vulnerabilidade das meninas que se encontram nessa em situação, enfrentando riscos de abuso sexual por parte de adultos que se aproveitam do seu poder económico.
Há também crianças que se encontram em situação de mendicidade, em resposta a essa realidade, o sociólogo Mário Sacossengue, apresentou uma análise sociocultural e antropológica, destacando que, no contexto africano, não deveria existir o conceito de “criança de rua”.
Segundo o sociólogo na tradição africana, a criança pertence não apenas aos pais, mas também à comunidade – incluindo vizinhos e outros membros da sociedade – que têm a responsabilidade de cuidar dela, especialmente quando a família enfrenta dificuldades. No entanto, ele reconhece que o fenómeno das crianças em situação de rua tem aumentado devido à pobreza extrema que afecta muitas famílias.
Sacossengue também criticou a ineficácia da acção social no país, apontando uma tendência de exclusão selectiva no apoio a famílias vulneráveis. Segundo ele, existem recursos a nível municipal destinados à assistência social, mas estes nem sempre chegam a quem realmente precisa. Como exemplo, mencionou casos de profissionais, como carpinteiros, que poderiam beneficiar de apoio para retomar actividades produtivas, mas acabam excluídos.
Por fim, Sacossengue desafiou os empresários a redireccionarem os seus investimentos para iniciativas sociais estruturadas. Sugeriu a criação de projectos que apoiem directamente as famílias dessas crianças, por meio de formação profissional, desenvolvimento de competências e apoio financeiro orientado, contribuindo assim para a redução da vulnerabilidade social.

