Angola enfrenta períodos de sol intenso e temperaturas elevadas, particularmente em Luanda, onde as máximas têm sido frequentes. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INAMET) para esta terça-feira, 24, indicam um dia soalheiro, parcialmente nublado, com temperatura máxima de 26ºC e mínima de 20ºC.
Por: João Afonso
Desde o início do ano que não se registam chuvas na capital, situação que tem provocado um clima bastante quente e levado muitos cidadãos a redobrarem os cuidados antes de sair de casa.
População queixa-se do calor
Dona Julieta Salvador, interpelada pelo nosso jornal, manifesta preocupação com o sol intenso que se faz sentir diariamente:
“Fui obrigada a comprar uma sombrinha para me prevenir deste sol tão intenso. Às vezes, ao entardecer, sentimos frio, o que provoca algum desconforto em relação ao clima.”
Outros populares, que preferiram o anonimato, consideram que o calor tem sido excessivo nos últimos dias. Segundo afirmam, “o sol apresenta-se de tal forma que continua a clarear até às 18h, confundindo até o horário”.
Falta de chuva preocupa camponeses
A ausência de precipitação também preocupa as famílias camponesas, que dependem exclusivamente da agricultura para o sustento diário. A escassez de chuva pode comprometer seriamente as colheitas, uma vez que o campo carece de água.
Pedrito Futila, camponês, relata a sua apreensão:
“Estamos tristes porque é a chuva que nos abre as portas para o cultivo do campo. Todos os dias, quando acordo, olho para o céu e questiono-me: será que hoje vai chover?”
Situação diferente noutras províncias
Enquanto não chove em Luanda, noutras regiões do país o cenário é diferente. Na província do Cunene, mais de 900 pessoas ficaram desalojadas em Ondjiva após chuvas intensas registadas na última segunda-feira, conforme noticiou o Jornal de Angola na sua edição de 23 de fevereiro.
Este contraste evidencia a variabilidade climática que se faz sentir no país.
Alterações climáticas agravam cenário
As alterações climáticas em Angola manifestam-se de forma severa através de secas prolongadas, especialmente no sul, incluindo a região do Deserto do Namibe, e de inundações cíclicas que afectam gravemente a agricultura e a segurança hídrica.
O país enfrenta uma maior variabilidade de precipitação e aumento das temperaturas. Para mitigar os impactos, o Executivo tem apostado na diversificação da matriz energética, com foco nas energias hídrica e solar, bem como na implementação de planos de mitigação e adaptação climática.
Recomendações das autoridades
Especialistas recomendam à população:
Hidratar-se frequentemente;
Utilizar protector solar;
Usar chapéu e óculos de sol;
Evitar exposição prolongada durante as horas de maior calor;
Acompanhar as actualizações diárias do INAMET para previsões meteorológicas precisas.
Um paradoxo climático
Curiosamente, quando chove em Luanda, os resultados nem sempre são positivos, pois as chuvas intensas podem provocar estragos materiais e até perdas humanas. Assim, instala-se um paradoxo: enquanto uns aguardam ansiosamente pela chuva, outros receiam os seus efeitos, preferindo enfrentar as altas temperaturas.

