Uma suposta funcionária de uma agência de viagens está a ser acusada de ter burlado mais de 700 mil kwanzas a um cidadão angolano, valor referente à compra de um bilhete de passagem com destino a Lisboa.
Por: Albino Sampaio
De acordo com o queixoso, que preferiu o anonimato, a cidadã identificada como Solange de Fátima Jacinto Neto Cesar apresentou-se como representante da agência de viagens Encosta Travel e alegou ter solicitado, junto da área comercial da companhia aérea nacional TAAG – Linhas Aéreas de Angola, um bilhete com desconto em nome do cliente.
O jovem efectuou a transferência do montante no dia 2 de Fevereiro. Contudo, após a recepção do valor, a acusada terá deixado de atender chamadas telefónicas e de responder às mensagens. Posteriormente, passou a prometer o envio do bilhete e, mais tarde, garantiu que devolveria o dinheiro, promessa que, até ao momento, não foi cumprida.
O lesado afirma já ter apresentado queixa às autoridades competentes e aguarda uma solução para o caso.
Ao reagir à acusação, Dona Solange Fátima Jacinto Neto Cesar reconheceu estar em dívida com o queixoso, mas rejeitou qualquer intenção de burla. Segundo afirmou, tem mantido contacto permanente com o lesado, embora admita que nem sempre tenha havido um diálogo saudável entre as partes.
De acordo com a mesma, enquanto trabalhadora da ENCOSTA TRAVEL, optam, em alguns casos, por solicitar que os clientes efectuem os pagamentos para contas pessoais dos funcionários. Justificou que essa prática visa prevenir situações de alegadas burlas, uma vez que, segundo explicou, já houve casos de clientes que afirmaram ter realizado transferências bancárias cujo valor nunca chegou a reflectir na conta oficial da empresa, tratando-se posteriormente de comprovativos falsos. Assim, após a recepção do valor na conta pessoal, o montante seria transferido para a conta empresarial.
Dona Solange referiu ainda que tomou a iniciativa de solicitar o IBAN do jovem queixoso para proceder à devolução do valor em dívida. Contudo, segundo a sua versão, o mesmo não o disponibilizou atempadamente, tendo-o feito apenas dias depois. Ainda assim, garantiu que foi efectuado o pagamento de uma primeira parcela e assegurou que envidarão todos os esforços para liquidar o valor remanescente até, possivelmente, ao final do mês. Acrescentou que o pagamento integral ainda não foi realizado porque aguardavam a entrada de um determinado valor, que não se concretizou na totalidade.
A interlocutora manifestou também desagrado quanto à postura do queixoso, considerando que não seria necessário recorrer aos órgãos de comunicação social nem às instâncias judiciais, uma vez que, segundo afirma, sempre houve cooperação entre as partes. Alegou ainda que o cliente tem feito múltiplas denúncias junto de diversos meios de comunicação, o que, na sua opinião, demonstra má-fé. Reforçou que, em ocasiões anteriores, a empresa terá emitido bilhetes mesmo sem o pagamento integral, como forma de apoio ao cliente.
Por fim, importa referir que, conforme comprovativo apresentado, a acusada já terá efectuado o pagamento de uma primeira parcela no valor de 240.900,00 kwanzas.

Importa referir que esta não é a primeira denúncia envolvendo agências de viagens acusadas de receber pagamentos sem prestar os serviços contratados, situação que tem vindo a prejudicar a imagem do sector no país.


