Passados cinco anos do Massacre de Cafunfo, ocorrido a 30 de Janeiro de 2021 na província da Lunda Norte, o líder do Movimento do Protectorado Lunda Tchokwe, José Mateus Zecamutchima, defende que o caso seja devidamente esclarecido e que as famílias das vítimas sejam indemnizadas.
Por: Benhão Sapo
Segundo o responsável, cerca de 150 cidadãos terão sido mortos, alegadamente pela polícia, durante protestos ocorridos na localidade de Cafunfo. Zecamutchima lamenta que, até ao momento, as autoridades angolanas não tenham apresentado esclarecimentos detalhados sobre o sucedido.
O líder recorda que também foi julgado no âmbito do mesmo processo, tendo sido condenado a 25 meses de prisão. No entanto, afirma que o Governo nunca apresentou provas das acusações feitas na altura.
“Em 2021 fui julgado e condenado e permaneci na prisão durante 25 meses, mas o Governo angolano nunca explicou as razões profundas da condenação. Nunca mostraram as armas que diziam estar em nossa posse para atacar a esquadra”, afirmou.
Para Zecamutchima, é lamentável que o Governo não tenha ainda encontrado uma solução para o caso. Defende que o processo judicial, que segundo ele se encontra no tribunal desde 2023, deve resultar na indemnização das famílias das vítimas do massacre ocorrido naquele 30 de Janeiro de 2021.
O líder do movimento sublinha ainda que o Movimento do Protectorado Lunda Tchokwe não é uma associação criminosa nem uma rebelião armada, como foi alegado pelas autoridades após os acontecimentos.
Apesar das críticas, Zecamutchima defende a abertura de diálogo entre o movimento e o Governo angolano como forma de resolver o impasse.
Por fim, apelou também à libertação de cerca de 200 activistas que, segundo afirma, permanecem detidos nas cadeias das Lundas, sobretudo num momento em que Angola se prepara para acolher o Papa XIV.

