Os angolanos manifestam expectativa quanto à actuação do novo Procurador-Geral da República, após o Presidente da República, João Lourenço, ter homologado esta quarta-feira os resultados da eleição e nomeado Pedro Mendes de Carvalho para liderar a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Por: João Afonso
A nomeação tem gerado reacções entre cidadãos, sobretudo no seio académico. Dois estudantes de Direito, que preferiram manter o anonimato, reconheceram avanços no sistema judicial angolano, mas defendem que ainda há muito por fazer. Para eles, é fundamental que o combate à corrupção produza resultados práticos e visíveis, capazes de impactar directamente a vida dos cidadãos.
Os estudantes afirmam que, com a nova liderança, esperam um impulso renovado no funcionamento da justiça, com maior celeridade e esclarecimento dos processos pendentes na PGR. “Agora que temos um novo Procurador-Geral da República, almejamos que o sistema judicial ganhe novo dinamismo e que sejam resolvidos os casos que permanecem sem desfecho”, referiram.
Por sua vez, a jovem Josefina Capita, nome fictício, volta a sua atenção para as instituições públicas, onde, segundo afirma, têm ocorrido diversos casos de corrupção. Josefina apela aos seus concidadãos para que denunciem práticas nocivas, contribuindo assim para a construção de um país cada vez melhor, numa altura em que Angola assinala os 50 anos da sua independência nacional.
Recorde-se que o anterior Procurador-Geral da República, Hélder Fernando Pitta Gróz, destacou-se pela condução de processos de grande relevância no combate à corrupção e na recuperação de activos. Entre os casos mais mediáticos estão os envolvendo os generais Leopoldino Fragoso do Nascimento e Higino Carneiro, além de investigações relacionadas a crimes financeiros e, mais recentemente, à mineração ilegal de criptomoedas.
Durante o seu mandato, Pitta Gróz focou-se na recuperação de milhões de dólares para o Estado, incluindo patrimónios localizados no exterior, enfrentando, no entanto, desafios ligados à cooperação internacional. Em 2021, chegou a negar ter recebido listas oficiais de Portugal sobre fortunas de cidadãos angolanos, destacando que o processo de recuperação de activos era conduzido por vias judiciais.
Com a entrada de Pedro Mendes de Carvalho, cresce a expectativa de continuidade e reforço no combate à corrupção, bem como de maior eficácia na administração da justiça em Angola.

