O presidente do Sindicato dos Médicos, Adriano Mendes Manuel, manifestou-se contra o projecto de construção de um centro ortopédico avaliado em cerca de 300 milhões de dólares, defendendo que o país deve priorizar a formação de especialistas antes de investir em grandes infraestruturas hospitalares.
Por: Benhão Sapo
Segundo o sindicalista, Angola enfrenta uma carência significativa de profissionais em áreas essenciais da saúde, como ortopedia e cirurgia. Adriano Manuel destacou que há províncias onde não existe sequer um médico ortopedista ou cirurgião, o que compromete o atendimento adequado à população.
O médico também abordou os frequentes relatos de negligência médica nos hospitais, afirmando que muitos desses casos estão relacionados com a falta de equipamentos e reagentes nas unidades públicas. Além disso, acusou o Ministério da Saúde de divulgar informações que não correspondem à realidade, desafiando a imprensa a visitar os principais hospitais do país para verificar as condições de trabalho existentes.
“Fala-se muito dos casos de negligência médica. É verdade que existem profissionais com condutas inadequadas, mas estes não representam nem 0,05% dos médicos que trabalham para salvar vidas. Muitas vezes, o Ministério apresenta uma realidade que não corresponde aos factos”, afirmou.
Adriano Manuel revelou ainda que o sindicato enviou uma carta ao Presidente da República, na qual apresenta sugestões e propostas consideradas prioritárias, com o objectivo de desencorajar a construção do referido hospital. Entre as recomendações, destaca-se o investimento urgente na formação de médicos especialistas em diversas áreas do sistema de saúde.
O sindicalista chamou a atenção para o impacto dos acidentes de viação, uma das principais causas de mortalidade no país, questionando como são tratados os casos em províncias sem especialistas. “Se ocorrer um acidente grave numa província como o Zaire, onde não há ortopedistas, onde será o paciente tratado?”, questionou.
As declarações foram feitas à margem de uma palestra dirigida a estudantes de saúde no Instituto Politécnico de Saúde São Pedro de Nazaré, em Viana, onde se discutiram questões relacionadas com a negligência médica nos hospitais

