A falta de reabilitação das estradas nos municípios de Milunga, Massau e Buengas, na província do Uíge, continua a gerar fortes críticas por parte das populações locais, que acusam as autoridades de abandono e falta de investimentos na região.
Localizados nas zonas Norte e Sul da província, os municípios de Buengas, Milunga e Massau — este último criado no âmbito da nova divisão político-administrativa — enfrentam sérios problemas de acessibilidade. Segundo os moradores ouvidos pelo Jornal Liberdade, estas localidades nunca beneficiaram de estradas asfaltadas desde o período colonial.
Adolfo Zé, professor da função pública colocado no município vizinho do Zanza-Pombo, afirmou que gostaria de regressar ao seu município natal, Milunga, mas considera impossível devido ao estado degradado da via de acesso.
“Eu até gostaria de trabalhar no município, mas com a estrada nestas condições é impossível. Como académico, preciso deslocar-me à sede da província para ter acesso a outros serviços. Por isso, não arrisco”, afirmou.
As imagens do desvio de Milunga, na comuna de Macocola, reforçam as reclamações dos moradores, que denunciam um alegado abandono parcial por parte do Governo Provincial. No local, não existem sinais ou infraestruturas que indiquem a entrada do município.
“Como podem ver, as pessoas passam por aqui em direcção ao Kimbele, Negage, Uíge e até Luanda, mas nem sequer se percebe que esta picada dá acesso ao município de Milunga. Imagine mais à frente”, lamentaram populares insatisfeitos.
Além disso, a estrada que liga os municípios do Uíge, Puri, Zanza-Pombo e Kimbele encontra-se parcialmente tomada pelo capim nas bermas, reduzindo a circulação a apenas uma faixa de rodagem e comprometendo a visibilidade dos automobilistas.
Recentemente, questionado sobre o assunto, o governador do Uíge, José Carvalho da Rocha garantiu que as estradas de Milunga e Massau deverão beneficiar de intervenções em breve. O governante justificou os atrasos com o período chuvoso, oficialmente encerrado a 15 de Maio.
Entretanto, as populações continuam a denunciar dificuldades no acesso a bens e serviços essenciais, enquanto aguardam por soluções concretas para melhorar a circulação e o desenvolvimento da região.


