A atenção do continente africano volta-se agora para o próximo compromisso da selecção da África do Sul no Campeonato do Mundo de Futebol 2026, diante da Tchéquia, marcado para a próxima quinta-feira, dia 18. A expectativa gira em torno da postura que os adeptos africanos irão adoptar, depois de a tradicional solidariedade pan-africana ter sido abalada por alegações relacionadas com episódios de xenofobia no país.
Por : João Afonso
Durante o jogo de abertura entre a África do Sul e o México, registou-se nas redes sociais um movimento de boicote à formação sul-africana, conhecida como Bafana Bafana. O fenómeno foi impulsionado por críticas associadas a episódios de violência contra imigrantes africanos, levando milhares de adeptos de diferentes países do continente a manifestarem apoio ao México em detrimento da equipa africana.
Agora, todas as atenções estão centradas no duelo frente à Tchéquia para perceber se o mesmo cenário voltará a repetir-se. Nos bastidores, o impacto das tensões regionais continua a ser tema de debate, enquanto nas redes sociais multiplicam-se memes e mensagens de descontentamento.
De acordo com informações divulgadas por canais e plataformas oficiais sul-africanas, a selecção nacional tem procurado gerir a situação mantendo o foco exclusivamente no desempenho desportivo. Tanto a Federação Sul-Africana de Futebol (SAFA) como os jogadores optaram por não responder directamente às críticas, protestos ou conteúdos virais, concentrando-se antes na preparação da equipa e na obtenção de resultados positivos nos próximos desafios.
Importa recordar que a problemática da xenofobia na África do Sul ganhou maior visibilidade no período pós-apartheid, a partir de 1994, com o surgimento dos primeiros ataques organizados contra imigrantes africanos. Contudo, o episódio mais grave e de maior dimensão nacional ocorreu em maio de 2008, quando dezenas de pessoas perderam a vida em vários bairros de Joanesburgo.
Especialistas apontam que as raízes da violência e do sentimento anti-imigração são complexas, estando associadas a factores históricos, sociais e económicos que continuam a influenciar o debate público no país.
Perante este contexto, resta saber se o próximo jogo da África do Sul será marcado apenas pelo futebol ou se as questões sociais continuarão a influenciar o comportamento dos adeptos africanos durante o Mundial.


