A criminalidade continua a ser uma das maiores preocupações dos cidadãos angolanos. Diariamente são registados relatos de crimes violentos, homicídios, abusos sexuais e outros actos que ameaçam a segurança pública, desafiando cada vez mais a capacidade de resposta da Polícia Nacional.
A delinquência juvenil surge como um dos fenómenos mais preocupantes, sendo frequentemente apontada como responsável por vários episódios de violência que resultam em mortes, tanto em vias públicas como no interior de residências.
Por : João Afonso
Populares ouvidos pelo nosso jornal reconhecem a importância do trabalho desenvolvido pela Polícia Nacional, mas criticam a reduzida presença de agentes nas comunidades, sobretudo no âmbito do policiamento de proximidade. Em vários pontos do país, especialmente em Luanda, onde se concentra a maior densidade populacional, há famílias que afirmam ter abandonado as suas residências devido ao elevado índice de criminalidade.
Alexandra Teodoro, nome fictício de uma moradora do município de Cacuaco, relatou viver diariamente sob um sentimento de insegurança.
“Cada dia que passa é uma batalha vencida. Quando saio para o trabalho, não tenho a certeza de que regressarei viva a casa”, desabafou.
À semelhança desta moradora, outros cidadãos que preferiram manter o anonimato recordaram, com emoção, o trágico episódio ocorrido na semana passada, quando quatro membros de uma mesma família foram assassinados dentro da sua residência, no bairro Paraíso, município de Cacuaco, uma zona frequentemente associada a casos de criminalidade.
Além dos cidadãos, também alguns efectivos das forças de segurança têm perdido a vida durante o exercício das suas funções.
Este cenário ocorre numa altura em que o Ministério do Interior (MININT) celebra 47 anos de existência.
A propósito da data, o ministro do Interior, Manuel Homem, afirmou à imprensa, por ocasião do 47.º aniversário do Ministério do Interior, que está em curso um processo de recrutamento de novos efectivos para reforçar a capacidade operacional dos órgãos de segurança.
O governante destacou igualmente as medidas em curso para a melhoria das condições de vida dos agentes, com especial enfoque no processo de valorização e actualização remuneratória da classe.
Manuel Homem referiu ainda que o Executivo continua a investir na modernização tecnológica dos serviços de segurança, com o objectivo de reforçar a prevenção e o combate à criminalidade. Segundo o ministro, a aposta nas novas tecnologias permitirá uma resposta mais eficaz e firme na manutenção da ordem pública e da segurança dos cidadãos.


