O Bispo da Diocese de Caxito, Dom Maurício Camuto, manifestou preocupação com o elevado número de mortes registadas em várias unidades sanitárias do país. Durante a missa que marcou as festividades populares do município de Cacuaco, realizada na quarta-feira, 24 de junho, na Paróquia São João Baptista, o prelado defendeu que os hospitais devem ser espaços de recuperação da saúde e preservação da vida.
Por : Redacção
“Os hospitais não devem ser lugares de morte, mas de recuperação da saúde e da vida”, afirmou o ordinário do lugar.
Dados do Relatório Anual da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Angola indicam que a taxa bruta de mortalidade geral no país estabilizou entre 7 e 8 óbitos por cada mil habitantes nos últimos levantamentos oficiais. O documento destaca ainda avanços na redução da mortalidade materno-infantil, com a mortalidade neonatal a descer para 16 mortes por mil nados-vivos e a mortalidade materna para 170 óbitos por cada 100 mil nados-vivos.
Na sua homilia, Dom Maurício Camuto lamentou também o actual contexto social vivido por muitos angolanos, marcado pela emigração em busca de melhores condições de vida. Segundo o responsável da igreja católica a nível de Caxito, o sofrimento e a falta de perspectivas levam algumas pessoas ao desespero, chegando mesmo ao suicídio.
Perante este cenário, apelou a uma maior responsabilidade dos cristãos no apoio aos irmãos mais vulneráveis, defendendo que a esperança deve ser preservada mesmo diante das dificuldades.
“A vida pode mudar um dia. Por isso, é necessário manter a esperança em dias melhores”, sublinhou, exortando os fiéis a seguirem o exemplo de São João Baptista, colocando a sua vida ao serviço dos outros.
O bispo incentivou ainda os cidadãos a denunciarem os males que afectam a sociedade e a assumirem uma postura de humildade e responsabilidade.
“Devemos ser corajosos para dizer a verdade, denunciando os males que destroem a nossa sociedade. Devemos procurar a humildade para reconhecer os nossos erros e corrigir as acções e atitudes que perpectuam e prolongam as dificuldades da vida dos cidadãos”, declarou.
Dom Maurício Camuto considerou igualmente preocupante a situação de pessoas que recorrem aos contentores de lixo para procurar alimentos, enquanto outros países com menos recursos apresentam melhores níveis de vida.
“Não nos podemos calar perante esta realidade. O silêncio significaria aceitar que algo não vai bem connosco. Precisamos mudar para que os nossos hospitais deixem de ser lugares de morte e sejam verdadeiros espaços de recuperação da saúde e da vida”, acrescentou.
Por sua vez, o administrador municipal de Cacuaco, Fernando João, informou que a administração local continua a investir na reabilitação e apetrechamento de escolas primárias, na melhoria da malha rodoviária da vila e no combate ao garimpo de água, entre outras acções destinadas a melhorar a qualidade de vida dos munícipes.
Já a antiga administradora municipal, Rosa Janota, defendeu que a celebração dos 86 anos de Cacuaco deve servir como momento de reflexão sobre as políticas públicas, de modo a criar melhores condições de vida para a população e promover o crescimento do município em diversas dimensões.
“Cacuaco deve servir cada vez melhor as populações residentes e não residentes desta localidade do país”, concluiu.

