O músico e activista Jaime MC considera que a elevada adesão aos recentes concursos públicos que estão a ser realizados no país demonstra que a juventude angolana está disponível para trabalhar e contribuir para o desenvolvimento nacional. As declarações foram feitas recentemente em entrevista ao nosso jornal.
Por : Redacção
Na sua opinião, os concursos públicos promovidos pelo Executivo têm um carácter essencialmente propagandístico.
“Basta vermos os concursos públicos propagandistas que o MPLA anunciou recentemente, através dos seus ministérios, como os da Saúde, Educação e também o Ministério do Interior, que, em tão pouco tempo, registaram um número muito elevado de candidatos”, afirmou.
O activista defendeu igualmente a criação de mais oportunidades para os jovens, sublinhando que existe vontade de trabalhar, mas que muitos enfrentam dificuldades no acesso ao emprego.
“A juventude está sedenta de oportunidades. Mas, infelizmente, se não tiveres cartão de militância, não és tido nem achado. É essa a situação que lamentamos”, declarou.
Durante a entrevista, Jaime MC criticou também as políticas públicas voltadas para o Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA), considerando que os resultados alcançados ficam aquém das expectativas.
Segundo o activista, há casos de jovens que beneficiaram de créditos na ordem dos 15 milhões de kwanzas destinados ao sector agrícola, mas que, alegadamente, não possuem experiência ou preparação para desenvolver actividades no campo. Para Jaime MC, esta realidade compromete os esforços de diversificação da economia nacional.
Relativamente ao Programa Kwenda, classificou a iniciativa como “um fiasco” e “uma humilhação total”. Defendeu ainda que províncias com elevado potencial agrícola e abundantes recursos naturais, como Malanje, necessitam de políticas públicas mais eficazes, sustentáveis e orientadas para o desenvolvimento económico e social.

