A problemática da distribuição de água continua a preocupar moradores de diferentes pontos de Luanda, sobretudo nas zonas periféricas. Em alguns bairros, apesar de várias residências terem sido contempladas pelo projecto “Água para Todos” e contarem com torneiras instaladas, o abastecimento continua a ser irregular ou, em alguns casos, inexistente.
Por : João Afonso
Na zona da Petrangol, por exemplo, alguns moradores relatam que as torneiras das suas residências raramente saem água, apesar de, ocasionalmente, o abastecimento ser restabelecido.
Dona Maria António Pedro, moradora da Petrangol há vários anos, lamenta a situação. Segundo conta, a sua residência foi contemplada pelo projecto “Água para Todos”, mas o fornecimento continua a acontecer de forma irregular.
“Nós fomos contemplados com o projecto, pelo que aplaudimos, mas, ao mesmo tempo, lamentamos pelo facto de vermos a torneira sem sair água. Aqui, a água sai a calhar, às vezes uma ou duas vezes por ano.”
Outro morador da referida zona, Simão José, critica as políticas de abastecimento de água potável. O munícipe diz não compreender como é possível existirem residências no mesmo bairro em que algumas beneficiam regularmente do abastecimento, enquanto outras enfrentam longos períodos sem água.
“Gostaríamos de entender como isto acontece. As casas que estão do outro lado beneficiam sempre do abastecimento de água, mas todos gozamos do mesmo direito.”
Por sua vez, uma moradora que preferiu não revelar a identidade apontou críticas à EPAL, defendendo a necessidade de a empresa rever os seus projectos para garantir que todas as residências possam beneficiar do abastecimento de água potável.
EPAL reconhece défice na produção
O Jornal Liberdade interpelou o director do Gabinete de Comunicação, Marketing e Relações Institucionais da EPAL, Vladimir Bernardo, que reconheceu a existência de um défice na produção de água, situação que, segundo explicou, acaba por comprometer a distribuição.
O responsável destacou particularmente as dificuldades verificadas nas zonas periféricas de Luanda, onde a produção ainda não consegue responder plenamente às necessidades das populações.
Questionado sobre os motivos que levam a que algumas casas do mesmo bairro recebam água enquanto outras não, o também porta-voz da EPAL explicou que a diferença pode estar relacionada com a localização das moradias e com a pressão existente nas condutas.
“Quando a conduta opera com baixa pressão ou sem pressurização completa, as moradias cujo ramal de ligação se encontra instalado na parte inferior da conduta podem ter maior probabilidade de receber água. Em contrapartida, os ramais ligados na parte superior da conduta podem permanecer sem abastecimento enquanto o nível de pressão não for suficiente para garantir o enchimento e a pressurização completa da tubagem” explicou
Vladimir Bernardo defendeu ainda a necessidade de se garantir um abastecimento contínuo, de modo a melhorar a distribuição de água às populações.
“Se os centros de distribuição estivessem a trabalhar 24 horas por dia, isso iria permitir que a conduta estivesse totalmente pressurizada e, aí, todas as ligações deveriam receber água.”
Projectos Bita e Quilonga Grande podem reforçar abastecimento
O responsável aproveitou igualmente a ocasião para destacar dois projectos que poderão contribuir para responder às preocupações das comunidades: os projectos Bita e Quilonga Grande.
Segundo Vladimir Bernardo, ambos estão previstos para ser concluídos em Dezembro deste ano e, quando entrarem em funcionamento, deverão duplicar a capacidade de distribuição de água.
De acordo com o porta-voz da EPAL, o projecto Quilonga Grande deverá beneficiar as províncias de Luanda e Icolo e Bengo, abrangendo municípios como Mulenvos, Cacuaco, Viana, Belas, Kilamba e Talatona, Cabiri.
Enquanto os projectos aguardam pela sua conclusão, moradores de várias zonas periféricas de Luanda continuam a enfrentar dificuldades no acesso regular à água potável, apelando para soluções que garantam o cumprimento efectivo do direito ao abastecimento de água.


